HISTÓRICO
Na época da conquista do Pará, Espanha e Portugal, formavam a União Ibérica (desde 1580). Essa união fora motivada pela morte do rei-cardeal D. Henrique. Assumiu o trono português, o rei espanhol, D. Felipe II, neto de D. Manuel, o Venturoso. Para o Brasil, naquela fase de expansão territorial, a união peninsular foi benéfica, pois veio tornar sem efeito o Tratado de Tordesilhas, facilitando, desse modo, a penetração interiorana.
A conquista do Norte foi determinada pelo rei da Espanha e Portugal, D. Manuel. Visava, inicialmente desalojar, do Maranhão, os franceses que ali haviam criado a França Equinocial. E, em 1614, Jerônimo de Albuquerque seguiu à frente da tropa, para cumprir aquela missão. A vitória definitiva sobre os franceses se deu a 2 de dezembro de 1615, já com Alexandre Moura liderando as forças lusas desde outubro. Após essa vitória Moura nomeou Jerônimo de Albuquerque governador do Maranhão e encarregou Francisco Caldeira Castelo Branco de conquistar o Pará.
No dia 25 de dezembro de 1615, a expedição saiu da Baía de São Marcos, composta do patacho Santa Maria da Candelária, da caravela Santa Maria das Graças e da Lancha Assunção. Compunha-se de 150 homens, 10 peças de artilharia, pólvora, muita munição e mantimentos. No dia 12 de janeiro de 1616, após transpor a barra do Separará, os portugueses aportaram na Baía de Guajará, chamada pelos nativos de Paraná-Guaçu.
Primitivamente, Belém (Mairi para os indígenas) era habitada pelos Tupinambás. O cacique chamava-se Guaimiaba (cabelo de velha). Como não demonstraram hostilidade, os lusos mantiveram contato com os índios, foram à terra e ali se estabeleceram. À nova conquista, Castelo Branco deu o nome de Feliz Lusitânia, colocando-a sobre a proteção de Nossa Senhora de Belém e o engenheiro-mor Francisco Frias Mesquita iniciou a construção da Casa Forte, localizada num pequeno promotório à margem esquerda do rio Piry (hoje doca do Ver-o-Peso). Recebeu a denominação de Forte do Presépio (hoje Forte do Castelo) e em seu interior levantaram uma pequena capela, sob a invocação de Nossa Senhora das Graças.
Do Forte do Castelo saíram os desbravadores do povoado. O igarapé Piry, vindo do norte, onde depois foi construído o Arsenal da Marinha, descia pelo povoado, indo desaguar perto do forte, onde se encontra atualmente a doca do Ver-o-Peso. Os primeiros habitantes da parte sul foram os religiosos capuchos de Santo Antônio, que construíram, à margem do Paraná-Guaçu, O Hospício do Una, em agosto de 1617.
Na tropa de Castelo Branco se encontrava Pedro Teixeira, cujo nome está ligado à exploração do Amazonas, que foi encarregado de ir, por terra, à São Luis do Maranhão, levar as boas novas.
Terminada a construção do Forte do Presépio, o próximo passo dos portugueses foi a colonização de Belém. Ergueram as primeiras casas; os índios ajudavam, mas não demorou muito para que os brancos os escravizassem.
No dia 7 de janeiro de 1619, os Tupinambás se revoltaram contra o regime de escravidão que os brancos lhe impunham e muitas tribos não se conformavam em ceder suas terras aos estrangeiros. As lutas contra os índios se alastraram, movidas pelo interesse de ganhar dinheiro escravizando os indígenas.
Além destas, os portugueses também se envolveram na luta contra os estrangeiros, para evitar que os franceses, ingleses e holandeses dominassem o vale amazônico, onde já haviam construído várias fortalezas.
Vencidas as lutas com os índios Tupinambás e Pacajás e com os invasores estrangeiros - holandeses, ingleses e franceses -, a cidade perdera a primitiva denominação de "Feliz Lusitânia", passando a ser "Nossa Senhora de Belém do Grão Pará", para a qual Felipe da Espanha concedera foros de capitania.
Importante sob todos os aspectos, foi a ação dos religiosos na conquista espiritual da Amazônia.
Com Castelo Branco, veio o padre Manoel Figueiredo de Mendonça, que realizou a primeira missa em Belém e que depois foi nomeado o primeiro vigário do Pará.
Belém nasceu com foros de cidade, porém, a data e o ato de criação desse Município perderam-se na deficiência dos documentos, como, também, ficaram esquecidos os nomes do primeiro Presidente e demais autoridades que integraram a fase inicial da administração municipal. Contudo, relata Palma Muniz, há claros indícios da existência de um Senado da Câmara, a partir de 1625, posto que este teria adotado decisões enérgicas sobre o magno problema dos índios, então apaixonadamente debatido e controvertido, como, por exemplo, a representação interposta contra a pastoral de Frei Cristóvão de São José, em 21 de dezembro do mesmo ano, com relação à administração das aldeias indígenas. Em 1636, prossegue o mesmo autor, surgem os primeiros registros da história geral do Pará, no meio das agitações decorrentes da sucessão do governo da Capitania. Na ocasião, o Senado da Câmara emprestou decisivo apoio ao reconhecimento de Jacome Raimundo de Noronha como Capitão General, contra os veementes protestos do vereador Luís do Rego, que em atitude considerada incompatível com o absolutismo da época, declarou não reconhecer ao Senado da Câmara de São Luís do Maranhão competência para nomear o Capitão General do Pará. Todos esses fatos conclui Muniz, denotam que o Senado da Câmara já era uma corporação que intervinha na vida geral da Capitania e tinha foro de existência respeitada.
Desconhece-se o local onde primitivamente funcionou o Senado. Os documentos falam, em uma casa localizada na esquina da Travessa da Rosa (atual Félix Rocque) com a Rua do Norte (atual Siqueira Mendes).
Em 1650, o Padre Antônio Vieira dizia, em sua "Resposta aos Capítulos do Procurador do Maranhão", que a população de Belém somava 80 almas, sem incluir os nativos, os religiosos e os soldados. As primeiras ruas foram abertas, todas paralelas ao rio. Os caminhos transversais levavam ao interior. Era maior o desenvolvimento para o lado norte, onde os colonos levantaram suas casas de taipa, dando começo a construção do bairro que hoje é conhecido como Cidade Velha.
Até meados do século XVII Belém possuía, além dessa construção, a Santa Casa de Misericórdia fundada em 24 de fevereiro de 1619, o Convento de Santo Antonio, fundado em 1626, a igreja e o Convento de Nossa Senhora das Mercês, construídos em 1640 pelos mercedários Frei Pedro da La Cirne e Frei João da Mercê e onde, em 1796, D. Francisco de Sousa Coutinho mandou instalar a Alfândega, que lá ainda continua, a igreja de Nossa Senhora do Carmo, as obras da Ordem dos Carmelitas Calçados, no local onde Bento Maciel possuíra uma casa de resistência: e a igreja de São Francisco Xavier (atual Santo Alexandre), inaugurada pelos jesuítas em 1660.
O ano de 1655, talvez, tenha sido a data da elevação de Belém à categoria de cidade, de conformidade com o Ofício, de 29 de abril de 1733, existente no Arquivo Público do Pará. Neste documento, os oficiais da Câmara comunicaram ao Governo da Capitania que "Sua Majestade nos fez mercê há setenta e oito anos (1655), conceder-nos os mesmos privilégios que gozam os cidadãos da cidade do Porto, do que mandou passar Provisão".
A mais antiga vereação da Câmara de que se tem notícia, pelos manuscritos conhecidos, é a de 1661, constituída pelos vereadores: Bernardino de Carvalho, Manoel Álvares da Cunha, Gaspar da Rocha Porto Carneiro, Braz da Silva e Manoel Braz.
Absorvidos os portugueses com domínio da região amazônica, além de freqüentes conflitos com índios e estrangeiros, não lhes foi possível cuidar, nos tempos iniciais, do progresso da Capitania. O móvel maior - a ambição do ouro - era a causa principal dessa estagnação que, apesar do meio século de permanência, dava à Colônia a orientação dos primeiros dias. A idéia da fortuna imediata toldava todos os espíritos, sem distinção de crenças ou de cargos, e a cidade teve que sofrer as conseqüências das ambições de seus primeiros colonizadores. Em 1676, chegaram da Ilha dos Açores 50 famílias, no total de 234 pessoas. Eram agricultores que o Senado da Câmara localizou no trecho conhecido como Rua São Vicente, atual Manoel Barata.
O mais antigo livro de atas do Senado da Câmara de Belém data de 1713, quando serviram como juízes ordinários André de Oliveira Pinto e Pedro de Seixas Borges.
No século XVIII, a cidade começou a avançar para a mata, ganhando distância do litoral.
Em 1667, foi criado o Bispado do Maranhão. As cartas régias de 1693 e1694 distribuíram o litoral e o interior pelas ordens religiosas que atuavam na Amazônia: jesuítas, mercedários, frades de Santo Antônio, carmelitas e os frades da Piedade. No dia 4 de março de 1719, o papa Clemente IX, através da Bula Copiosus in Misericórdia, criou o Bispado do Grão-Pará, sendo nomeado o seu 1º Bispo, D. Frei José Bartolomeu do Pilar, da Ordem dos Carmelitas Calçados. D. Romualdo de Souza Coelho, empossado em julho de 1821, se achava à frente do bispado quando o Pará aderiu à Independência do Brasil. A população era de 6.574 "almas".
Em 1673, o governador Pedro César de Menezes transferiu a sede da capitania do Grão-Pará e Maranhão (unificadas em um só Estado, desde 1623), de São Luis para Belém. Em 1688, a corte determinou que a capital voltasse a ser São Luis; mas em 1737 a sede governamental retornou a Belém. Finalmente em 1815, as Capitanias Gerais do Brasil foram transformadas em Províncias. Ficando Belém como Capital da Província do Grão-Pará.
A lei de 12 de junho de 1748 estabeleceu o derrame de moeda de metal-cobre, prata e ouro, para substituir os novelos de algodão e os gêneros nativos utilizados como valor de troca, na época. Por requerimento dos habitantes, foi fundada, em 1755, a Companhia de Comércio que durou 22 anos e trouxe ao Pará 12.587 escravos africanos, dos quais muitos vendidos para Mato Grosso, por falta de compradores locais.
A construção do Palácio do Governo, cuja planta é de autoria do arquiteto Antônio José Landi, foi concluída em 1771.
Em 1793, D. Francisco de Sousa Coutinho, Capitão-General do Grão-Pará e Rio Negro, organizou o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, tradicional préstito religioso que movimenta todo o Estado, a imagem da santa é venerada pelos paraenses desde 1700.
Foram estabelecidos os serviços de Correios, de serventia pública, de abertura de novos logradouros, além de se criarem escolas de ensino primário e de humanidades. As tropas militares ficaram agrupadas em uma imensa casa térrea que se estendia da Travessa São Francisco à de São Pedro e que deu origem ao nome de Largo dos Quartéis, hoje Praça da Bandeira. Ao terminar o ano de 1799, a cidade contava com 1.083 "fogos" (casas) e 10.620 habitantes. Dom Francisco de Sousa Coutinho, cavaleiro da Ordem de Malta, Capitão-de-Fragata da Real Armada Portuguesa, era o governador e Capitão-General do Grão-Pará e Rio Negro.
A retirada de Dom João VI para Portugal e os acontecimentos que dominavam o cenário no Brasil, relativos ao regime constitucional, passaram a repercutir em Belém, criando, situações novas para a cidade e, sobretudo, para a vida política municipal. A mais importante dessas circunstâncias foi, sem dúvida, a adesão do Pará à Independência. O Senado da Câmara, constituído em 1823 e empossado em 27 de fevereiro, sofreu decisiva influência na sua composição por parte da Junta Provisória do Governo Civil da Província do Pará, porém, a deposição dessa junta governativa pelo Coronel João Pereira Vilaça, em 1º de março de 1823, trouxe como conseqüência a distribuição desse Senado. Entretanto, os líderes paraenses que trabalhavam pela Independência e que realizaram a adesão do Pará em 15 de agosto, empossaram o dito Senado. Assim, a primeira Câmara de Belém, composta depois de decretada a Independência do Brasil, foi presidida por Pedro Rodrigues Henriques e instalada, solenemente, em 23 de agosto pela Junta Provisória do Governo do Pará, integrada por Geraldo de Abreu, João Batista Gonçalves Campos e Félix Antônio Clemente Malcher.
A Lei-Geral de Organização Municipal do Império, de 1º de outubro de 1828, estabeleceu para todos os Municípios brasileiros a eleição direta para a composição de seus respectivos corpos deliberativos. No ano seguinte, em 6 de julho, tomou posse em Belém a primeira Câmara Municipal eleita, da qual fizeram parte o Comendador Ambrósio Henrique da Silva Pombo, na qualidade de presidente, e os vereadores Coronel Manoel Sebastião de Mello Marinho Falcão, Tenente-Coronel Lourenço Lucidoro da Motta, Capitão José Batista Camecran, Capitão Joaquim Antônio da Silva, Tenente João Batista Ledo, Capitão Antônio Manoel de Sousa Trovão, João Florêncio Mendes Cardoso e Capitão Pedro Carlos Damasceno.
Em conseqüência das lutas deflagradas pelo movimento da Cabanagem, a Câmara Municipal de Belém sofreu várias alterações. O Presidente da Câmara, Antônio Manoel de Sousa Trovão, foi preso e os vereadores fugiram da Capital, sendo chamados seus suplentes, entre os quais João Antônio Corrêa Bulhão sucedeu a Trovão na presidência da Câmara.
A Cabanagem foi um movimento popular cujo objetivo era a tomada do poder das elites portuguesas, que governavam a Província do Grão-Pará. Liderado intelectualmente pelo Cônego Batista Campos, que dirigia o jornal "O Paraense", que fazia oposição aos atos do governo, e, bélica e estrategicamente, pelos irmãos Francisco e Antônio Vinagre, além de Eduardo Angelim.
No dia 4 de dezembro de 1833 assumia a Presidência da Província do Pará, em substituição a Machado de Oliveira, o brigadeiro Bernardo Lobo de Souza. O novo Presidente incidiu no erro de inimizar-se com Batista Campos. Após vários incidentes ocorridos, Batista Campos, perseguido pelo governo, veio a falecer em 31 de dezembro de 1843. Assim que a notícia se espalhou, a culpa pela morte (em decorrência de um tumor maligno), foi atribuída aos governantes. Revoltados, os lideres cabanos passaram então a recrutar os caboclos para a invasão da cidade de Belém, sede da Província, e tomada do poder, o que ocorreu no dia 7 de janeiro de 1835, quando mataram várias autoridades do governo, entre elas, o Presidente da Província . Após o assassinato do presidente Lobo de Sousa, a Câmara passou a constituir um baluarte contra os cabanos, embora mantivesse um comportamento de relativa tolerância, para evitar maiores desgraças e aguardar o apoio do governo imperial no restabelecimento do regime da legalidade.
Além das lutas sucessivas durante o período cabano, houve também, a crise econômico-financeira. Assim, quando forças legais tomaram conta da cidade, em maio de 1836, encontraram uma Belém cheia de carcaças de edifícios, sem iluminação pública, em uma decadência quase total. Andréa, o novo Presidente da Província, tentou melhorar as coisas. Com a expansão da cidade, os problemas se avolumaram, um dos maiores problemas que enfrentou foi o dos terrenos alagadiços e a falta de operários especializados.
A partir de então, e por longos anos, novos conflitos e mortes se sucederam com vários cabanos assumindo por algum tempo a presidência da Província, entre eles, Francisco Vinagre, então com 19 anos e Eduardo Angelim, com 21. Antônio Vinagre era mais jovem, e morreu em batalha, em agosto de 1835. Finalmente, devido à ausência de um líder com o conhecimento de Batista Campos, o movimento revolucionário, não muito consistente, foi debelado de vez em 1840, pelas forças do Marechal José Soares de Andréa, novo Presidente da Província, nomeado pela regência,depois de muito sangue derramado, mas que marcou a história do Pará.
Quando da Cabanagem, Belém pouco se diferençava daquela pequena urbe do final do período colonial; restringia-se aos bairros da Cidade e da Campina, com o igarapé Piri dividindo-os. O bairro de Nazaré era um bosque imenso. Ligando o largo onde se erguia a modesta ermida de N.S. de Nazaré, havia uma estrada, chamada de Nazaré. Não houve nenhuma modificação urbanística para melhor; para pior muitas, em decorrência das lutas e dos bombardeios de que a cidade foi vítima.
Em 1844, assumiu um outro presidente, Conselheiro Jerônimo Francisco Coelho, que foi o maior administrador do período imperial. Considerando o período e as condições, pode ser comparado a Mendonça Furtado, no período colonial, e a Antonio Lemos, na fase republicana. Executou muitas obras e planejou outras tantas que, por falta de recursos não puderam ser realizadas. Mas, o que é importante, deixou um plano urbanístico para uma cidade cheia de problemas.
Mais de duzentas publicações, entre jornais, revistas e panfletos, circularam por Belém na época do Império, algo surpreendente para uma cidade pequena e isolada dos grandes centros. A imprensa em Belém e na Amazônia foi introduzida por Felipe Patroni, Domingos Simões da Cunha e José Batista da Silva, em 1822 quando fundaram o jornal "O Paraense", quando ainda éramos subordinados ao governo português. Sua tipografia serviu para imprimir o primeiro jornal que circulou em Belém, já após a sua integração ao Império do Brasil: O Independente, semanário , cujo primeiro número foi lançado em 8 de dezembro de 1823, redigido pelo padre João Lourenço de Souza, defendia uma facção exaltada da política paraense. O governo passou a editar "O Verdadeiro Independente", semanário, cujo primeiro número saiu em agosto de 1824. Seu primeiro redator foi D. Romualdo de Seixas. Outros exemplos da imprensa na época do Império: "O Estado", "O Treze de Maio", primeiro jornal diário do Estado" (que leva este nome em homenagem à data em que as forças legalistas retomaram Belém) e o "Diário de Notícias".
Em 1831,surgiu um jornal que muito influiu na agitada política paraense que antecedeu à explosão da Cabanagem: Orpheo Paraense. O Cônego Batista Campos foi encarregado de sua redação e imediatamente transformou-o em porta voz de suas idéias nacionalistas exaltadas, no que era ajudado pelos padres Jerônimo Pimentel e Gaspar de Sequeira Queiroz. Além deste Batista Campos publicou vários semanários e jornais. Para fazer frente à linha exaltada de Batista Campos, vários jornais circularam, entre eles: "A Opinião", "O Despertador" e "Correio Oficial Paraense , circulou de julho de 1834 até janeiro de 1935, fundado pelo presidente Bernardo Lobo de Souza. Redigia-o o antigo colaborador de Batista Campos, o Cônego Gaspar de Sequeira Queiroz, transformado agora em seu ferrenho adversário.
Dessa tumultuada fase deve-se mencionar "O Sentinela Maranhense na Guarita do Pará", de Batista Campos e redigido por Vicente Lavor Papagaio, publicados em setembro e outubro de 1834, aceleraram o processo cabano. Durante os governos revolucionários da Cabanagem, circularam apenas dois jornais de vidas efêmeras: "Paquete do Governo" e "Publicador Oficial Paraense". Após o ciclo cabano, a imprensa paraense voltou a reviver através da "Folha Comercial do Pará". Semanário que circulou de agosto de 1837 a 1840. Honório José dos Santos o redigia, figura em destaque na história da imprensa paraense. Encerou-a em 1840 para lançar o primeiro jornal de longa vida do período colonial: o "Treze de Maio".
A Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, implicou na deposição do regime monárquico, e a posse das autoridades republicanas, no Pará, foi realizada na Câmara Municipal de Belém. Para isto, reuniu-se a Câmara, em sessão extraordinária, no dia 18 de novembro, sob a presidência de Antônio José Lemos, perante a qual compareceram os membros do Governo Provisório do Pará, Dr. Justo Chermont, Capitão-de-Fragata José Maria do Nascimento e Tenente-Coronel Bento José Fernandes Júnior, que prestaram juramento e foram empossados no Governo do Estado Confederado do Pará. Em virtude da Vigência do novo regime republicano, a Câmara Municipal de Belém foi extinta pelo Decreto Lei nº 3, de 5 de dezembro de 1889 e, pelo mesmo ato, foi criado o Conselho Municipal.
Com a Lei Orgânica dos Municípios, de 28 de outubro de 1891, os Município do Estado passaram a ser governados por um Intendente Municipal, com funções executivas e um Conselho Municipal, com funções deliberativas. Em conseqüência dessa Lei, tiveram lugar as primeiras eleições municipais do período republicano no Pará, cujo mandato compreendeu o triênio de 1891 a 1894. Em 15 de novembro de 1891, tomaram posse os eleitos: D. Gama Abreu (Barão de Marajó), como Intendente, e os Vogais Dr. José Antônio Pereira Guimarães, José Marques Braga, Dr. Theodorico Cícero Ferreira Pena, Antônio Delfim da Silva Guimarães, Filadelfo de Oliveira Condurú, Cícero da Costa Aguiar e Leônidas Ramiro da Silva Castro.
Durante os anos de 1897 a 1911, administrou Belém o Intendente Antônio José de Lemos, sendo considerada esta época a fase áurea do Município. São atribuídos a esse período o embelezamento e desenvolvimento da cidade. Os calçamentos de madeira foram substituídos pelos de granito. Foram construídos: o Mercado de Ferro; o Quartel dos Bombeiros; o Asilo de Mendicidade; o Necrotério Público; a rede de esgotos; os largos foram transformados em praças ajardinadas; o bairro do Marco ganhou abertura de ruas e travessas. Enfim, foram promovidos vários tipos de melhoramentos do perímetro urbano, inclusive tendo sido instalada a iluminação pública com rede elétrica, a viação pública por bondes elétricos e surgiram dos grandes jornais diários "A Província do Pará" e a "Folha do Norte", que refletiam o progresso da capital guajarina, junto aos suntuosos prédios e esplêndidas moradias que se construíram nessa época. Porém, a derrocada do ciclo da borracha e a Primeira Guerra Mundial estancaram o crescimento da grande metrópole da Amazônia.
A Reforma da Constituição do Estado, promulgada em 3 de setembro de 1914, mudou a administração do Município da Capital, pois ficou composta por um Conselho Municipal de 12 membros, eleito diretamente, e por um Intendente Municipal, nomeado pelo Governador do Estado. O primeiro Intendente nomeado foi o Dr. Antônio Martins Pinheiro, que tomou posse em 14 de setembro de 1914, e o Presidente eleito para o Conselho Municipal foi Dr. Dionísio Auzier Bentes.
Após a vitória da Revolução de 1930, o primeiro Intendente de Belém foi o Dr. Ismael de Castro, seguido do Dr. José Carneiro da Gama Malcher e Padre Leandro Pinheiro.
Com a reconstitucionalização de 1945, a Câmara de Vereadores de Belém ficou composta por Adolfo Burgos Xavier, Lucival Lage Lobato, Francisco do Céu Ribeiro Sousa, Armando Dias Mendes, Benedito José de Carvalho, Mário Chermont, Augusto Belchior de Araújo, Raimundo Farah, Antônio Carlos dos Santos e Melquíades Teixeira Lima.
A Lei Federal nº 1.645, de 16 de julho de 1952, devolveu o direito aos Municípios de eleger seus prefeitos, tendo ocorrido a primeira eleição, em Belém, em 27 de setembro de 1953, da qual saiu vitorioso o Dr. Celso Carneiro da Gama Malcher.
No golpe militar em 1964, resultaram, novamente, suspensos, os direitos de livre escolha dos prefeitos das capitais estaduais brasileiras. Porém, com o processo de redemocratização nacional que teve início em 1985, Belém elegeu, nesse ano, Fernando Coutinho Jorge como Prefeito da Capital Paraense.
A cidade fundada em 1616, como o nome de "Feliz Lusitânia", depois denominada de "Nossa Senhora de Belém do Grão Pará", tradicionalmente conhecida como "Santa Maria de Belém do Grão Pará" agora, simplesmente é designada Belém.
Do imenso patrimônio territorial de que Belém dispunha ainda nos primórdios do século, como por exemplo, as áreas de Benfica, Barcarena, Santa Izabel, Apeú, Castanhal, Inhangapi, Inhanga (São Francisco do Pará), Ananindeua, etc., foram progressivamente sendo desmembradas de suas terras, para dar origem aos Municípios homônimos. Atualmente, de acordo com a Lei Municipal nº7.682, de 5 de janeiro de 1994, o município de Belém conta com os distritos administrativos de Belém (sede), Icoaraci, Mosqueiro, Bengui, Entroncamento, Sacramenta , Guamá.e Ilha de Caratateua (popularmente conhecida como Outeiro).

PATRIMÔNIO CULTURAL
Festas Religiosas
- Círio de Nazaré
A maior manifestação religiosa do município de Belém e uma das maiores do Brasil é o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, (considerado o "Natal do paraense") realizado no segundo domingo de outubro.
As comemorações do Círio começam 30 dias antes, com a celebração da Missa do Mandato, pelo arcebispo metropolitano, que dá início às peregrinações de Nossa Senhora, quando as réplicas das imagens percorrem todos os bairros de Belém de casa em casa com novenas noturnas. Nesse período as famílias católicas reúnem-se diariamente com os vizinhos para rezar o terço e refletir sobre diversos temas, em preparação espiritual para a grande festa.
A partir da sexta-feira, ante-véspera do Círio, começam as grandes homenagens à Nossa Senhora de Nazaré. A primeira delas é a Rodo-Romaria, que seguida por carros e caminhões enfeitados, leva a imagem do Colégio Gentil Bittencourt até Ananindeua. No sábado de manhã cedo a imagem é levada até a Vila de Icoaraci. De lá segue em romaria fluvial, desde 1986, com centenas de embarcações, até a Praça Pedro Teixeira em Belém.
Assim que chega em terra, a pequena imagem é conduzida em veículo especial e seguida por uma Moto-Romaria, que a leva de volta ao Colégio Gentil Bittencourt.
No sábado à noite, a partir das 19 horas, começa a Trasladação. A berlinda, com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, é levada até a Catedral da Sé, fazendo o trajeto contrário do Círio. No domingo de manhã, a procissão leva pequena imagem da virgem de Nazaré ornamentada com flores pelas ruas da cidade na grande procissão em direção à Basílica de Nazaré, cumprindo um ritual de mais de 200 anos. A berlinda é puxada por uma grossa corda onde os romeiros, em grande sacrifício, vão segurando como pagamento de promessa, do início ao fim da procissão.
O Círio atrai milhares de devotos que vêm à romaria agradecer por uma graça alcançada. Simbolizando isso, levam na cabeça casas, barcos, pedaços do corpo em cera e os mais variados objetos que representam o que teriam conseguido com a fé à Virgem.
Os romeiros e promesseiros vem de todos os cantos do interior do Pará e de outros Estados, o que confirma a tradição de uma das maiores manifestações de fé do Brasil.
Ao chegar à Praça Santuário, que fica bem em frente à Basílica, é rezada uma missa pelo arcebispo de Belém, onde todos os devotos da Virgem de Nazaré são abençoados.
Quando a procissão termina as famílias se reúnem para o tradicional almoço do Círio, onde são servidos pratos típicos como o pato no tucupi e a maniçoba.
A festa na Basílica segue por duas semanas, com visitas à imagem e ao Parque de Diversões, ao lado do Conjunto Arquitetônico de Nazaré.
Durante a quadra Nazarena ainda é realizado o Círio das Crianças e a Corrida do Círio, evento que reúne corredores de diversas partes do Estado e do Brasil.
Quinze dias depois acontece o "Recírio", que leva a imagem da Basílica de volta até o Colégio Gentil Bittencourt, de onde só sai no ano seguinte.

- Festividade de Nossa Senhora de Belém
Outra manifestação religiosa que pode ser destacada é a festa em homenagem à padroeira oficial da cidade, Nossa Senhora de Belém, cultuada no dia 1º de setembro, a partir das heranças religiosas deixadas pelos portugueses. As festividades contam com procissão, novena e arraial em torno da igreja matriz.

Formação Étnica
A herança étnica da população de Belém é uma mistura de traços do branco europeu, do negro e, sobretudo, do índio - característica que lhe dão o apelido de "Cidade Morena". Hoje, a cidade não é só a capital dos paraenses, mas também de imigrantes, em especial nordestinos. Aliás, a herança desses povos também tem outras manifestações, seja nos costumes e na forma de se expressar, revelando as raízes e um mundo fantástico de danças, comidas, artesanatos e lendas ou nos antigos casarões, palacetes e igrejas que fazem do bairro da Cidade Velha uma espécie de museu a céu aberto.

- Folclore
O folclore é uma das manifestações mais ricas da cultura popular do belemense e é de uma expressividade autêntica. Entre as manifestações culturais mais apreciadas estão os Folguedos Populares. Em junho, os Cordões de Pássaros, os Bois-Bumbás, as Quadrilhas, as Pastorinhas e as festas de "arraiá", animadas pelos conjuntos típicos ou pelos sonoros "arrebenta-quarteirão" e sacudidas pelos rojões e foguetes, esquentam as noites. Em julho, as festas transferem-se para as praias mais próximas já que é o grande mês de férias do paraense. Nos finais de semana, os sonoros tomam conta da cidade, dividindo espaço com os espetáculos de cantores e músicos paraenses e, show de Carimbó (com destaque para o Mestre Verequete e Pinduca) e, o Brega.
Em se tratando de Folguedos Populares, o Boi-Bumbá é um folguedo que na opinião do folclorista Carlos Lima é tipicamente paraense.É o resultado da mistura bonita das três raças - a indumentária do branco, o atabaque do negro, a coreografia do índio. Conta-se que na Belém da segunda metade do século XIX, o Boi-Bumbá reunia negros e escravos em um folguedo que misturava, ao ritmo forte, a representação de um motivo surpreendente para a época: a luta de classes dentro da sociedade colonial. Apesar da repressão o boi tornou-se uma das mais importantes representações da cultura local. A seguir alguns dos grupos de Bois-Bumbás encontrados em Belém: Boi-Bumbá "Pai da Malhada"(fundado em 1935), Boi-Bumbá "Caprichoso"(1947), Boi-Bumbá "Tira Fama"(1958), Boi-Bumbá "Flor do Campo"(1960), Boi-Bumbá "Estrela D'Alva"(1963), Boi-Bumbá"Pingo de Ouro"(1969), Boi-Bumbá "Flor do Guamá"(1975), Boi-Bumbá "Flor da Noite"(1982), Boi Malhadinho Mirim do Guamá. Um dos mais importantes personagens ligados à história do Boi-Bumbá, morreu em 1997, Elias Ribeiro da Silva, o "seu" Setenta, durante mais de 40 anos zelou pela manutenção do boi em Belém. O Arraial do Pavulagem é um dos grupos mais famosos do Estado. Ele foi peça importante no resgate do Boi-Bumbá numa época em que o folclore não estava em alta entre os jovens.O Arraial do Pavulagem se apresenta durante a quadra nazarena, promovendo o "Arrastão do Círio", que sai da Igreja da Sé à Praça do Carmo, após a romaria fluvial.
As Quadrilhas Juninas, de origem portuguesa são centenas em todo o Estado. Hoje, as quadrilhas são tão importantes para a cultura, que a Prefeitura de Belém organiza um festival anual muito concorrido, um dos eventos mais esperados da cidade. Na capital paraense, existem cerca de 120 quadrilhas organizadas, que cada vez mais se aprimoram em coreografias criativas.
Os "Cordões de Pássaros" constituem uma espécie de opereta caboclo, só existem no folclore paraense. Provavelmente o primeiro pássaro junino surgiu em 1877, no então Largo de Nazaré, hoje Centro Arquitetônico de Nazaré. Apesar de serem chamados de Pássaros, esses grupos de teatro dramático-burlesco-popular nem sempre usam as aves como seu símbolo. A riqueza da indumentária é motivo de orgulho para os organizadores dos Pássaros.
Na verdade, tanto o Boi-Bumbá como o Cordão de Pássaros representam entidades que surgem como forma de resistência da cultura regional. Grande parte desta cultura é transmitida de geração em geração apenas pela tradição oral. O engendrar de cultura e resistência garante a autenticidade dessa autêntica manifestação.
O Carnaval é outra manifestação popular que movimenta a cidade. A primeira escola de samba de Belém (e do Pará) surgiu em 1934, o "Rancho Não Posso Me Amofiná". Na década de 70 e 80 eram promovidas batalhas de confete promovidas por algumas emissoras de rádio da cidade (Rádios Clube do Pará, Marajoara e Liberal). Atualmente, a Prefeitura de Belém realiza desfile das escolas de samba que são classificadas por grupos. As escolas de samba que se destacam no carnaval belenense são: Rancho Carnavalesco Não Posso Me Amofiná (fundado em 1934), Império de Samba Quem São Eles (1946), Acadêmicos da Pedreira (1981), Embaixada de Samba Império Pedreirense (1958), Associação Carnavalesca a "Grande Família" (1973), Escola de Samba da Matinha, Academia de Samba Jurunense. Segundo o professor Georgenor Franco, o primeiro Rei Momo foi Kagib Elias Eluan, mas o mais famoso de Belém (e do Pará) foi Mário Cuia, falecido em 1975.Também se tornou tradição o concurso "Rainha das Rainhas do Carnaval Paraense", que envolve os principais clubes sociais de Belém, idealizado pelos jornalistas do extinto jornal Folha do Norte, João Maranhão e Ossian Brito, em 1947.

- Gastronomia
A culinária paraense é considerada uma das mais típicas e variadas do Brasil. É uma culinária exuberante. Os pratos típicos utilizam produtos naturais, colhidos das fontes mais puras encontradas na flora e na fauna amazônicas, sem similar em outro lugar do mundo, sendo essa, uma forte herança deixada pelos índios da região.O grande logotipo da gastronomia do estado é o pato no tucupi. Outra iguaria típica é a maniçoba, conhecida como a "feijoada do paraense". A variedade de peixes que povoam os rios da região é responsável pela diversidade de pratos de frutos da água como: pirarucu, pirarucu grelhado ou na brasa, pirarucu no leite de coco, desfiado de pirarucu, peixada, caldeirada, tamuatá no tucupi. Há, também, as iguarias feitas com crustáceo: casquinho de caranguejo, unha de caranguejo, caranguejo toc-toc.
Nas esquinas das principais ruas das cidades paraenses, sobretudo em Belém, há bancas de tacacá (tacacazeiras). Além do tacacá em si, vendem também outras iguarias da culinária regional, como o vatapá e o caruru paraenses, constituindo-se, na maioria das vezes, uma refeição completa, hábito bastante cultivado pela população local.
Com mais de uma centena de espécies comestíveis, as frutas regionais podem ser encontradas no Ver-o-Peso, mercados, supermercados, etc., da cidade de Belém; elas são responsáveis diretas pelo indefinível, requintado e, muitas vezes, exótico sabor das deliciosas sobremesas que enriquecem a mesa paraense. Destacam-se: açaí, bacaba, cupuaçu, castanha-do-pará, bacuri, pupunha, tucumã, muruci, piquiá e taperebá.
O açaí, popularizado em todo país como um energético, também é vendido em centenas de barraquinhas de rua, assinaladas com uma bandeira vermelha onde está escrito o nome do produto. Muitas pessoas têm o hábito de consumir o açaí como uma refeição completa, puro ou guarnecido com camarão salgado e outros.
Além dos sorvetes, refrescos, pudins, tortas, cremes, licores, compotas, mousses e balas - entre outras do Pará, pode-se encontrar em Belém ainda outras delícias de confecção artesanal e sabor caseiro, como: beijo de moça, munguzá ou mingau de milho, beiju de mandioca, mingau de banana verde, tapioquinha, mingau de açaí, mingau de bacaba, e tantas coisas mais.

- Artesanato
O artesanato de Belém é expressivo, pelo toque original e multicolorido. Apresenta grande variedade de produtos, desde pequenos objetos de uso pessoal (colares, anéis, etc); utensílios caseiros e decorativos (cerâmica, vasos, bacias, etc) ; além de outros artigos em couro de cobra e jacaré, em madeiras e fibras regionais e em penas e barro, que podem ser encontrados no Ver-o-Peso ou nos finais de semana, na Praça da República. Entretanto, o destaque especial é dado às cerâmicas Marajoara (oriunda da Ilha do Marajó), Tapajônica (encontrada na região do Tapajós - Santarém), Maracá (originária do Amapá) e cerâmica de Icoaraci (estilizada, criada a partir das cerâmicas Marajoara e Tapajônica, permitindo maior uso doméstico), cultura deixada como herança pelos índios e que hoje é fonte de renda para muitos moradores da Vila de Icoaraci, que é o centro produtor do artesanato paraense, localizada a 20 Km de Belém.
Esses produtos encontram-se à venda na Feira do Paracury (inaugurada em 24 de junho de 1995 com a finalidade de incentivar e escoar a produção de artesanato, assim como o de divulgar a cultura da terra - danças, músicas e comidas típicas), encontram-se barracas de vários artesãos da vila. Além do Liceu de Artes e Ofícios e das lojas de artesanato da vila, outro local onde se encontram trabalhos de vários ceramistas é o COARTI (Cooperativa dos Artesãos de Icoaraci). Está instalada numa antiga estação de trem (Estrada de ferro Belém-Bragança), foi criada para melhorar a qualidade da cerâmica produzida na vila, pois os artesãos não estavam seguindo corretamente as técnicas milenares de confecção das peças além de conscientizar a população a resgatar a cultura dos antigos povos da Amazônia, o que se constitui numa tarefa importante para a sobrevivência da cerâmica e da economia local.
Na Rua dos Artesãos, concentram-se o maior número de olarias da vila, de onde saem as mais variedades peças (vasos, cinzeiros que podem ser personalizados, urnas, pratos, etc.), do artesanato local para o mercado, e na Passagem Livramento. Neste bairro a cerâmica pode ser adquirida a preço de custo, além de que se pode acompanhar todo seu processo de produção.
Em termos de artesanato também, o antigo Presídio São José, localizado na Praça Amazonas, será reformado e sediará o Centro de Referência Joalheiro e Artesanato. O Projeto Jóias do Pará é uma iniciativa do Governo do Estado, através da Secretaria Executiva do Trabalho e Promoção Social em parceria com Prefeituras Municipais, instituições Federais e o Setor Privado. O objetivo é incrementar a produção de jóias do Pará, considerando o enorme potencial do Estado em se tratando de matéria prima e cultura. É um trabalho pioneiro no Brasil. Para dinamizar a produção no Estado, o pólo vem criando uma identidade própria para jóias na área de desing, baseado na herança cultural da região e traduzindo-se em peças finas de qualidade.

- Lendas e Mitos
As lendas e muitos fazem parte do imaginário popular paraense. Enquanto que no interior do Estado o misticismo é mais arraigado, em Belém os contos são assimilados pelas crianças nas escolas (boto, cobra grande, caipora, açaí, guaraná, matinta perêra, muiraquitã, tambatajá, vitória-régia, uirapuru, peixe-boi, lenda da lua, lenda dos rios, lenda do sol, mapinguari).

PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Bairro da Cidade Velha
Belém nasceu em torno do então Forte do Presépio, área que logo foi chamada de cidade e com o passar do tempo recebeu o nome de Cidade Velha. A Cidade Velha é o marco da história de Belém, um dos maiores referenciais do patrimônio histórico e cultural do Pará. Preserva em parte a sua arquitetura colonial, com fachadas de azulejos portugueses, varandas e grades de ferro (Belém é a cidade brasileira que mais preservou a arquitetura em ferro das construções do século XIX). É nesse antigo bairro, que está guardada a memória dos índios, negros e portugueses, pioneiros do povoamento da cidade. É também onde estão os principais pontos turísticos de Belém: casarões antigos, museus, palacetes e igrejas em estilo neoclássico e imperial brasileiro. O bairro guarda infinitas riquezas do império e da Era da Borracha, época de ouro da história paraense, seja em seus museus, galerias, arquivo público ou em sua arquitetura antiga.
O Centro Histórico de Belém (no bairro da Cidade Velha), guarda ainda o circuito Landi de Arquitetura, que são as obras que o arquiteto italiano Antônio José Landi projetou. O fato de Belém ser uma das capitais mais arborizadas do Brasil, oferecendo a sombra das copas de milhares de mangueiras que cobrem ruas e avenidas e amenizam as altas temperaturas e, por causa disso, ser conhecida como a "Cidade das Mangueiras", também é um legado de Landi. Apesar da espécie não ser natural da região e sim da índia, foi a primeira a ser utilizada na arborização da cidade, trazida por ele em 1786; trouxe dezenas de mudas que foram plantadas no centro da cidade.

- Forte do Castelo
Localizado na Praça Frei Caetano Brandão, é um marco na fundação de Belém. Foi a primeira construção da cidade. Além de fortaleza militar, também valeu como refúgio de uma das facções dos revoltosos do movimento cabano no início do século XIX. Durante a II Guerra Mundial, serviu de quartel para uma bateria de artilharia. Canhões originais ainda estão lá para testemunhar os fatos. O forte não manteve a construção original; foram feitos vários fortes ao longo do tempo, sendo que a última (atual) edificação de data 1721.

- Ver-o-Pêso
Localiza-se na região das Docas do Pará, antiga foz do Igarapé do Piri (Boulevard Castilhos França, no bairro do Comércio). Em 1687 foi solicitada a Portugal uma concessão para tributar as mercadorias que chegavam em Belém. Deste ano resultou a criação do Ver-o-Peso, local onde as mercadorias eram pesadas e taxadas, sendo que a renda resultante desses impostos custeava a Câmara de Belém. Desde aquela época os governantes já enfrentavam o eterno dilema de equilibrar despesa e receita, com a primeira, invariavelmente, sendo maior que a segunda. O Ver-o-Peso é o símbolo cultural e turístico da cidade, um dos cartões postais mais conhecidos do Estado do Pará e até da Região Amazônica, é lugar onde se encontra uma amostra do universo de variedade da cultura paraense. É lá que a população começa o dia comprando e vendendo mercadorias das mais variadas espécies como peixes e frutas, plantas ornamentais, raízes, artesanato e dezenas de ervas medicinais, usadas para o preparo de chás, banhos e defumações, temperos, etc. O intenso movimento dos barcos e o vaivém das pessoas empresta um belíssimo colorido à paisagem, já bastante atraente pela variedade de produtos expostos à venda. Tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, está sendo avaliado pela Unesco para ser transformada em Patrimônio Cultural da Humanidade.

- Igrejas
A expansão da Cidade de Belém, muito se deve as igrejas, conventos e capelas; aos seus arredores, verificava-se o agrupamento de colonos que, com sua religiosidade, procuravam moradia próxima às casas de Deus.

Catedral Metropolitana de Belém ou Igreja da Sé
A primeira Capela dedicada ao culto católico em Belém, foi construída no Forte do Presépio, em 1616, e dedicada a Nossa Senhora das Graças. Com o tempo, virou ruína. A saída foi construir outra igreja , só que mais bem apropriada e resistente. O lugar escolhido foi a praça em frente ao Forte (Praça Frei Caetano Brandão). Apesar da intenção, a igreja durou pouco tempo, pois era de pilão e palha. Foi substituída mas por outra do mesmo material. Em 13 de dezembro de 1720, com a constituição do Bispado do Pará, a Matriz (até então Igreja de Nossa Senhora das Graças), ganhou direitos e honras de Sé Episcopal. Foi D.João V, Rei de Portugal, quem ordenou que no mesmo local fosse erguida uma catedral, com muita magnificência e grandeza. Em 03 de maio de 1748, o Bispo D.Frei Guilherme de São José, lançou a pedra fundamental da Catedral Metropolitana de Belém ou igreja da Sé, que foi reconstruída pelo arquiteto Antônio Landi, em estilo neoclássico e barroco colonial. Em 23 de dezembro de 1755, D. Miguel de Bulhões inaugurou o presbitério da Catedral, que foi concluída em 08 de setembro de 1771. Entre as belezas da Sé, destacam-se as pinturas na abóbada e tela dos artistas italianos Domenico De Angelis e Giusepe Capranesi, produzidas no século XIX, quando a Igreja passou por uma ampla reforma. Outro destaque é o grande órgão CavailléColl, inaugurado em primeira edição no dia 09 de setembro de 1882, pelos organeiros e organistas franceses, Veerckamp e Moor. A Cateral possui ainda o Ossuário ou Capela das Almas, onde são sepultados fiéis da igreja católica, a Residência Paroquial e a Sacristia dos Cônegos. A Catedral é ponto de saída da procissão do Círio de Nossa Senhora de Nazaré.

Igreja de Santo Alexandre
Localizada na Praça Frei Caetano Brandão, na Cidade Velha, teve sua construção iniciada no século XVII, 1635, por religiosos da Companhia de Jesus, quando era apenas uma simples capela de taipa, com cobertura de telha e chamava-se igreja de São Francisco Xavier. O atual templo da igreja de Santo Alexandre, considerada a mais barroca de nossas igrejas, foi construída entre os anos de 1718 e 1719 e representa parte da memória cultural paraense. É inspirada nos principais templos jesuíticos do Brasil e da Europa. A colaboração indígena imprimiu à fachada do templo um estilo reconhecidamente amazônico. Em 1999, a igreja e o antigo Arcebispado de Belém (Palácio Arquiepiscopal) passaram por uma grande restauração, compondo o Conjunto Arquitetônico onde funciona o Museu de Arte Sacra do Pará, um belíssimo espaço que resgata valores estéticos, históricos e culturais do Estado. Ao lado de um anexo, esses dois prédios, tombadas pelo instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), formam o Complexo Feliz Lusitânia.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo
Localizada na Praça do Carmo, foi fundada no século XVII (1627), pela Ordem dos Carmelitas Calçados da Capitania e reconstruída em 1716. A igreja conta com o estilo neoclássico em sua fachada e o barroco em seu interior. Seu altar é de prata. Integra o Conjunto Arquitetônico que inclui o antigo Convento dos Carmelitas. A partir de 1766, Landi atuou na igreja do Carmo e também na capela anexa, Ordem Terceira do Carmo. É uma das mais importantes de Belém, pelo seu valor histórico e artístico, tendo servido como ponto estratégico para a tropa imperial durante a Cabanagem.

Capela de São João Batista
Está localizada na Praça República do Líbano, na Cidade Velha. A igreja primitiva foi construída em l622, em taipa e coberta de palha, tendo servido de presídio ao jesuíta Pe. Antonio Vieira, em função de sua dedicação à causa indígena. Foi demolida em 1686, quando outra igreja, também em taipa, foi levantada no mesmo local. Tornou-se matriz em 1714 e, em 1721, passou a ser Catedral de Belém até 1755. A partir de 1772 teve início a construção da atual igreja, projetada pelo arquiteto Antonio Landi e, foi inaugurada em 1777. Ainda que por fora seja quadrada, seu interior apresenta forma octogonal (com elegante cúpula sobre a nave de rara beleza), o que era bastante incomum na arquitetura colonial brasileira. Além dos aspectos arquitetônicos, a capela tem em seu interior, aspectos preciosos de arte decorativa. As pinturas do altar principal e das laterais são feitas em técnica que emita volumes e relevos. Foi restaurada em 1996, pelo IPHAN. Encontrou-se pinturas feitas por Landi que estavam escondidas por camadas de tinta branca e foram recuperadas em 1997. A Capela de São João Batista foi considerada pelo antigo diretor do Museu do Louvre, Germain Bazin, "uma jóia da arquitetura barroca".

Igreja de Nossa Senhora das Mercês
Localizada na Praça das Mercês, no Bairro do Comércio, foi construída pelos frades mercedários, o seu traçado original é do século XVII (1640). Inicialmente era de taipa e pilão, coberta de palha. Em 1753, um novo templo foi levantado a partir do projeto do arquiteto italiano Antônio Landi com substanciais alterações. Apresenta diversos estilos, predominando o barroco. A Igreja das Mercês é a única em Belém que possui a fronteira em perfil convexo. A igreja faz parte de um conjunto arquitetônico que inclui o Convento dos Mercedários e a antiga Alfândega. O convento foi construído pelos frades mercedários ao lado da
igreja. Ambos ficaram em poder desses frades até 1794, quando o rei de Portugal os expulsou do Pará, confiscou e incorporou seus bens à coroa lusa. A igreja passou à Irmandade Militar do Santo Cristo. No antigo convento houve a instalação da Alfândega e da Casa do Parque. Lá também funcionaram a Casa da Praça do Comércio, a Recebedoria Provincial, o 16º Batalhão de Caçadores, o Arsenal de Guerra, o Quinto Corpo de Artilharia e o Correio.

Igreja de Nossa Senhora de Sant´ Ana da Campina
Localizada na Praça Maranhão, no Comércio, foi construída em 1761 e reconstruída em 1855 em estilo renascentista e, também é projeto do arquiteto Landi, cujo corpo foi enterrado em sua nave, em local não identificado. Pelo traçado original, tinha a forma de uma cruz grega coroada de uma cúpula e lanterna. Primitivamente, segundo Baena, possuía vários painéis no altar do sacramento e no das almas. Em 1839, com a derrubada de duas colunas construídas lateralmente, foram levantadas duas torres, conforme se vê nos dias de hoje. Em 1855 sofreu várias reformas, quase uma reconstrução. Conserva ainda as belas pinturas de Pedro Alexandre de Carvalho, feitas no século XVIII. Outra obra de arte ali encontrada é a imagem de São Pedro fundida em bronze.

Capela do Senhor Bom Jesus dos Passos (Capela dos Pombos)
Localiza-se no Comércio. O senhor de engenho, Ambrósio Henrique da Silva Pombo, ao construir sua residência em Belém, dotou-a de uma capela oferecida ao Senhor dos Passos, construída em 1790, onde ele, sua família, seus amigos e seus escravos assistiam o Santo Sacrifício da Missa e a outros ofícios da religião. A capela possui fachada branca, de linhas neoclássicas e sutis motivos barrocos de ornamentação. Nos tempos imperiais a capela desempenhou papel relevante na história eclesiástica da cidade: Os bispos designados para a diocese paraense desembarcavam do vapor e vinham diretamente ao Santuário do Senhor dos Passos, a fim de se paramentarem. Depois, então, é que se dirigiam aos cerimoniais de posse na Catedral. Sendo propriedade particular, só abre ao público uma vez por ano, no domingo da Páscoa, quando chega a grande procissão de Nosso Senhor dos Passos, onde é realizado o quinto passo.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Campina
Localiza-se no bairro da Campina. Sua primeira construção, feita de taipa-de-pilão, data do final do século XVII. Mas é em meados do século XVIII, com a chegada do arquiteto Antônio Landi que a igreja se tornou um Templo, pois além de fazer a planta, ele contribuiu financeiramente para as obras.
Ao descrever essa igreja, Ernesto Cruz lembra que nela são vistos restos da influência colonial: as urupemas das janelas, as lajotas de barro vermelho que formam o piso dos corredores laterais e os altares por mãos hábeis.
Entre as obras de arte ali existente, salienta-se uma grande tela representando a Virgem Maria, que pode ser vista no batistério. E também os ricos castiçais e lanternas de prata maciças, tudo fruto de quase duzentos anos de trabalho dos humildes escravos da Belém Colonial e Imperial.
Entre as pessoas sepultadas naquela igreja, está o líder cabano Antônio Vinagre, morto na tarde de 14 de agosto de 1835, no Largo das Mercês, quando os revolucionários, pela segunda vez, invadiram a capital paraense.

Igreja e Convento de Santo Antônio
O início das obras do convento de Santo Antônio data do ano de 1626, sob a responsabilidade dos capuchos da Província de Santo Antônio. Por sinal, os primeiros religiosos que vieram ao Pará. E, pela ordem cronológica de construção, o segundo convento a ser erguido em Belém (o primeiro foi o do Carmo).
Em 1736, estando o edifício original arruinado, um novo convento e uma nova igreja começaram a ser levantados . A 13 de junho de 1743 foram festivamente inaugurados.
Naquele tempo, as águas da baia do Guajará iam até as paredes do convento. Para protege-las, os capuchos começaram a construir um cais de proteção, somente concluído em 1782, já pelo Senado da Câmara de Belém, que o prolongou até uma rampa que era conhecida por Sacramenta.
Após a Cabanagem, o governo instalou no antigo convento uma escola de ensino misto. No mesmo período ali também funcionou uma escola gratuita de gramática latina, dirigida pelo frei Antônio de Santa Teresa. Depois serviu como quartel da polícia (1846). Anos depois, o Seminário Pequeno de Belém. Por fim, um Asilo de Órfãs Desvalidas, mantido pelo governo e
entregue à direção das irmãs Dorotéias, em 1878. E o Asilo de Santo Antônio transformou-se, nos tempos modernos, no tradicional colégio de mesmo nome.
Diz-nos Ernesto Cruz que "a Igreja é ornada de azulejos que datam do século XVIII. Na capela-mor no corredor e na sacristia podem ser vistas e admiradas as artísticas faianças, tão antigas como as do convento de São Francisco, da Baia. Também as paredes da torre são em parte ataviadas de azulejos. Não existe, contudo, indicação que esclareça o autor da pintura das louças e da olaria onde foram fabricadas".
Muito bonito também é o forro da sacristia, pintado em 1774. Encontra-se perfeitamente conservado, como um testemunho vivo do bom gosto dos artistas do passado.

Igreja de Nossa Senhora de Nazaré
A primitiva capela de Nossa Senhora de Nazaré foi levantada por Agostinho Antônio em louvor à Virgem. Em 1799, o governador D. Francisco de Souza Coutinho, devota da Virgem e criador do Círio em 1793, determinou, que nova ermida fosse ali construída, de pedra e cal.
A 12 de setembro de 1852 era solenemente lançada a pedra fundamental da 3ª igreja. O autor da planta foi José Joaquim da Cunha.
Por fim, em 1909 (na fase áurea da borracha), teve início a construção do 4º templo, muito belo, suntuoso, como o vemos nos dias de hoje, onde abriga a imagem da santa que foi encontrada pelo caboclo paraense Plácido de Souza. Autorizou a obra o visitador dos Barnabitas, padre Loniz Zota. Em 1923 era a igreja elevada à categoria de Basílica (decreto da Santa Sé de 19 de julho, assinado pelo secretário do Vaticano padre Card Gasparri). O projeto original pertence ao arquiteto Gino Coppode e ao engenheiro Pedrasso, ambos italianos, e foi inspirado na Basílica de São Paulo, em Roma.
A fachada possui uma arquitetura eclética, mas não foge às linhas clássicas - Romanas. O interior é todo de mármore carrara e ouro, exceto o forro, em madeira de lei paraense. Em suas colunas internas, granito rosa importado de Baveno, Itália. No altar-mor, um nincho rodeado de anjos de mármore para guardar a imagem original da Virgem de Nazaré. Mas suas torres laterais estão os mais famosos carrilhões eletrônicos do Brasil. Possui 53 vitrais coloridos que retratam passagens bíblicas. Foi tombada pelo patrimônio Histórico e Cultural, em 1992.

Igreja da Santíssima Trindade
O português José Antônio Abranches, que morava perto da Aldeia (atual rua Bailique), não muito distante da Estrada das Mongubeiras (Almirante Tamandaré), era fervoroso devoto da Santíssima Trindade. E idealizou construir uma igreja. Para isso encaminhou um requerimento ao Senado da Câmara solicitando a doação de um terreno, no que foi atendido. A área doada localizava-se na parte da cidade outrora encharcada pelas águas do igarapé do Piri que tinha sido aterrada.
A construção da igreja teve início em 1802. O seu idealizador morreu, mas seus irmãos levaram a obra avante. Em 1841 era aberta ao culto, com o altar-mor e quatro arcos nas paredes laterais, "indicando os lugares em que, no futuro, se deveria edificar mais quatro altares. Elevada à categoria de freguesia em 1840, três anos após reabria, melhorada interna e externamente. Em 1894, estando o prédio bastante arruinado, foi fechado ao culto. A 14 de outubro do mesmo ano ocorreu o ato solene da bênção e colocação da primeira pedra da capela-mor, feito pelo monsenhor José Gregório Coelho".
Sucedeu-o na direção da paróquia e no desvelo para com a construção da nova igreja o monsenhor Hermenegildo Perdigão e o padre Miguel Inácio. A construção foi dada como concluído em 1942. O monsenhor Antônio Cunha fez a bênção solene do templo e das imagens.

- Palácios
Palácio Arquiepiscopal
Localizado na Praça Frei Caetano Brandão, na Cidade Velha, constituía-se uma construção que foi iniciada pelos jesuítas e que ficou inacabada com a sua expulsão do Brasil em 1760. Hoje, como patrimônio tombado pelo Governo Federal, integra, juntamente com a Igreja de Santo Alexandre, o museu de Arte Sacra (MAS), único da Região Norte do país.

Palácio Lauro Sodré
Localizado na Praça D. Pedro II, na Cidade Velha, é obra do arquiteto Antônio Landi e data de 1771, è um dos mais belos do Brasil colônia e foi construído na era Pombalina. A construção é o projeto mais importante de Landi na região e introduz o estilo neoclássico no Brasil. É uma versão portuguesa dos temas neo-paladianos da Itália. Por muito tempo foi o local de despacho dos governadores do Estado. No final do Século XIX, no período áureo da borracha, o prédio sofreu várias adaptações em sua fachada e estrutura interna, tendo sido restaurado pela primeira vez nos anos de 1973/74, quando ainda abrigava a sede do Governo do Estado do Pará. No início da década de 90, foi reformado e transformado em museu do Estado.

Palácio Antônio Lemos
Localizado na Praça D. Pedro II, apresenta estilo "Imperial Brasileiro" com características do Neoclássico europeu e é um exemplar da arquitetura da segunda metade do século XIX, quando a Amazônia experimentou um desenvolvimento econômico com base na comercialização da borracha. Projeto e execução de José Coelho da Gama Abreu - o Barão de Marajó -, iniciado em 1850 e inaugurado em 1883. Para funcionar como sede da Intendência municipal, foi batizado Paço Municipal, sendo que o povo preferiu chamá-lo de Palacete Azul, devido à cor de suas paredes. Passou por várias reformas ao longo de sua história. Em 1953, recebeu o nome de Palácio Antônio Lemos em homenagem ao grande intendente Antônio Lemos. Hoje, o palácio abriga o gabinete do Prefeito e o museu de Arte de Belém (MABE).

Palacete Bolonha
Todo construído com material importado da Europa no início do século XX (1905), pelo arquiteto Francisco Bolonha. É um dos mais belos exemplares do Art Nouveau em Belém, um estilo característico da época do ciclo da borracha. Esse atraente prédio também é uma bela declaração de amor, já que foi construído por Bolonha para presentear sua esposa, a pianista carioca Alice Tem-Brink. Além do casal, o palacete foi residência de gente de expressão na história da capital paraense e funcionou, inclusive, como sede da Prefeitura de Belém. Faz parte de um conjunto arquitetônico que incluí uma vila de casas, construída nos fundos da casa para os empregados, seguindo o mesmo estilo do palacete. Foi tombado pelo Patrimônio Histórico.

Palacete Pinho
Construção datada de 1897, no estilo europeu conhecido como "Belle Époque". O projeto leva a assinatura do arquiteto Camilo de Amorim.

- Construções Históricas
Engenho do Murucutu
Construído no século XVIII, hoje em terras da EMPRAPA (CPATU), também são importante registro do passado de Belém.
Segundo o historiador Ernesto Cruz, um inventário do ano de 1840 revelou a composição da propriedade: casa de vivenda, capela, casa de engenho, rancho dos pretos, uma roda d'água, moendas de ferro, batelões, canoas. A capela foi erguida em 1711, pelos frades Carmelitas, sob o orago de Nossa Senhora da Conceição. Na segunda metade do século XVIII o arquiteto Antônio Landi reformou-a. O engenho, movido a vapor, produzia cachaça e açúcar. A força utilizada pela serraria provinha de uma roda d'água. O igarapé Murucutu, que desembocava no Rio Guamá, chegando às proximidades da casa-grande, servia de caminho para a movimentação humana, de mercadorias, de produtos da mata e da indústria, entre o engenho e Belém.
Segundo a historiadora portuguesa, Isabel Mendonça, em 1756 Antônio Landi compra o Engenho do Murucutu e monta uma olaria que abastece Belém de tijolos e telhas.
Atualmente encontra-se em ruínas, mas está sendo restaurado.

Instituto de Artes do Pará - IAP
O prédio que abriga o IAP data de 1889 e serviu de cenário para Adesão do Pará à República. Alias, o fato histórico se deu no interior do prédio, cujas primeiras instalações foram construídas na segunda metade do século XX. A imponente construção serviu durante muito tempo como quartel do Batalhão de Infantaria do Exército. Tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, foram feitas algumas adaptações, mas sempre preservando as linhas originais. A atual configuração arquitetônica do prédio principal foi obtida através de obras realizadas, provavelmente na década de 20 do século XX, quando no local funcionava o 26º Batalhão de Caçadores. Na época da adesão à República, lá funcionava o 15º Batalhão de Caçadores, sob o comando do major João Maciel da Costa e, além da adesão, no seu interior foi organizada a Junta Governativa para assumir a direção do Estado. O IAP tem a singularidade de ser o único instituto de artes do País idealizado para o aperfeiçoamento do artista da Amazônia, já que não se tem notícias de nenhum outro órgão de iniciativa privada ou pública criado para esta finalidade. O IAP
ocupa metade da érea militar num espaço de três mil metros quadrados de área construída e 21 espaços, entre áreas para exposições e atividades artísticas, além de salas destinadas às gerências de artes cênicas e musicais, artes plásticas e audiovisuais, artes literárias e de expressão da identidade, espaço poético e dois espaços livres para uso variado.

Instituto Histórico e Geográfico do Pará
Localizado na rua Tomázia Perdigão, na Cidade Velha, conhecido também como Solar do Barão do Guajará - Domingos Antônio Raiol -, possui uma arquitetura típica colonial portuguesa do século XVIII. O casarão só passou a ser do Barão do Guajará quando esse desposou a filha dos donos. O Barão do Guajará foi presidente das Províncias do Pará, Ceará, Paraíba e São Paulo, tendo sido, também, historiador. O casarão pertenceu, ainda, às famílias Fragoso e Chermont (séc. XIX). Atualmente, o prédio pertence ao Instituto Histórico e Geográfico do Pará.

Curro Velho
Localizado às margens da baía de Guajará, está instalado no prédio que pertenceu ao antigo Curro Público de Belém (que foi o primeiro matadouro da cidade), construído em 1861 e de estilo neoclássico. A partir de 1988, o prédio foi restaurado e destinado às atividades da Fundação Curro Velho (criada em 1990), que trabalha com alunos das escolas públicas nas oficinas regulares e oficinas de Iniciação Artística.

- Praças
Praça D. Pedro II
Durante todo o período colonial chamou-se Largo do Palácio, em virtude da construção do Palácio do Rei, ou dos Governadores. Depois chamou-se Largo da Constituição, porque ali foi palco de manifestações pela adesão do Pará a nova Constituição de Portugal. Depois chamou-se Largo da Independência, quando o Pará aderiu ao Império do Brasil. E, finalmente, D. Pedro II, em homenagem ao nosso segundo imperador.
Pelo fato de situar-se às proximidades dos palácios do governo e da Prefeitura, onde funcionavam os Legislativos estaduais e municipais, além do Tribunal de Justiça e do Fórum, essa praça, em termos políticos, sempre foi a mais importante de Belém. No centro, o monumento em homenagem ao general Gurjão, inaugurado em 31 de maio de 1881. Começou urbanizado por Arthur Índio do Brasil, mas foi Antônio Lemos quem a embelezou. Refez tudo, plantou palmeiras imperiais, mangueiras, eucaliptos e outras árvores, dotou de regatos e ilhas.
Uma parte da praça, defronte do Palácio da Municipalidade, Lemos transformou em parque, denominado-o de Afonso Pena.

Praça Batista Campos
É uma das mais tradicionais de Belém. Antiga Praça Sergipe, começou a ser urbanizada por Antônio Lemos em 1901. Sua inauguração aconteceu em 14 de fevereiro de 1904. A beleza da praça se intensifica por uma composição eclética de vários estilos arquitetônicos, árvores frondosas, plantas ornamentais, córregos, pontes, bancos, caramanchões, pavilhão acústico e coretos - que representam o auge da arquitetura de ferro. A importância da Batista Campos, cujo nome é em homenagem a um dos principais líderes do movimento da Cabanagem, é muito grande. É um espaço freqüentado diariamente por um público diversificado e alegre; por turistas de todo o mundo que visitam a cidade. É point dos estudantes, de casais de namorados, das mamães e babás empurrando carrinhos de bebês, dos vendedores alternativos e muito mais. É um lugar de encontro para diferentes gerações, povos e culturas.

Praça Princesa Isabel
Localizada na antiga zona boêmia, a "Praça da Condor", como é conhecida é um novo espaço de lazer e cultura da cidade. Dispõe do primeiro Terminal Fluvial Turístico, dotado de trapiche em forma de píer, com capacidade para 12 embarcações, possuindo área de embarque e desembarque para passeios turísticos; anfiteatro para atividades culturais; estacionamento para ônibus e carros; posto da Guarda Municipal e posto de informações turísticas sobre a área entorno e da cidade em geral.

Praça da República
Teve sua construção iniciada no século XVIII. Inicialmente era chamada de largo da Campina e depois, com a construção de um armazém para guardar pólvora, passou a chamar-se Largo da Pólvora. Nesse largo foi erguida uma forca, embora não haja
registro de execução. A área também serviu de cemitério, onde os corpos dos escravos e pobres eram sepultados em cova rasa. Durante o Império, a praça chamava-se Pedro II, em homenagem ao Imperador. Em 1878, com a inauguração do Teatro de Nossa Senhora da Paz, hoje Teatro da Paz, iniciou-se um tímido processo de urbanização. Só com a queda do Império, o espaço recebeu a denominação de Praça da República. Em 1801, o Intendente Arthur Índio do Brasil efetivou um processo mais intenso de modernização da praça, mas foi Antônio Lemos, a partir de 1897, quem realizou a verdadeira urbanização do espaço. O Intendente Virgílio de Mendonça construiu um cinema ao lado do passeio frontal, que conduz ao monumento da República. O espaço, que também foi sede da Caixa Econômica, é hoje o Teatro Waldemar Henrique. Ainda na praça está outro prédio histórico, a antiga Casa Comercial, atualmente Núcleo de Artes da Ufpa. Também foi construído na praça um obelisco em homenagem aos revolucionários de 1924 e 1930. A localização da Praça da República, bem privilegiada, permite facilmente o acesso de várias pessoas. Em datas comemorativas, como o Dia da Raça, Sete de Setembro, Círio de Nazaré e outros, a praça transforma-se em um grande palco por onde desfilam representações dos personagens mais ilustres da história de Belém, acompanhados por turistas do mundo inteiro. Nos finais de semana, a Praça da República dá lugar a uma Feirinha de Artesanato, onde há venda de produtos regionais. Em alguns domingos a Prefeitura ou o Governo do Estado realizam eventos culturais. São exposições, shows e apresentações de grupos regionais.

Praça Brasil
Bastante arborizada, é um bom local de lazer para os belemenses. Chamava-se, inicialmente, Praça do Índio, em homenagem aos primeiros habitantes do Brasil; possui o traçado da Bandeira Brasileira e no centro, um obelisco, tendo no alto a estátua de um índio.

Praça Justo Chermont (Praça Santuário)
Localizada em frente à Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, foi inaugurada em 1992 para celebrar o Círio de número 200. Possui um altar central onde fica a réplica de Nossa Senhora de Nazaré, exposta à visitação pública e onde acontecem peregrinações religiosas, novenas e são realizadas missas durante a quadra nazarena. Possui uma "concha acústica" onde grupos folclóricos e artistas da terra se apresentam. O projeto da praça foi feito pelo engenheiro Roberto Martins. As duas esculturas, de concreto revestido de mármore foram criadas pelo arquiteto Erivaldo de Jesus Jr., tendo como inspiração o manto de Nossa Senhora de Nazaré e a Cruz.

Praça D. Frei Caetano Brandão
Situada no bairro da Cidade Velha, é um dos principais pontos turísticos de Belém. Inicialmente, era chamada de Largo da Sé, mas em 15 de agosto de 1900 foi batizada com o atual nome, em homenagem ao Frei Caetano, sexto bispo do Pará. Foi tombada pelo patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1964.

Praça Operário
Inaugurado em 1932, compõe o complexo de São Braz. É palco das manifestações públicas da cidade.

Praça do Pescador
Localiza-se junto à Baia do Guajará e é parte integrante do complexo do Ver-o-Peso.

Praça Siqueira Campos (Praça do Relógio)
Começou a ser construída em 1930, durante o governo de Eurico Vale, no terreno onde existia o prédio da Bolsa da Borracha, pelo comendador Antônio Faciola, intendente municipal. Chamava-se, nesta época, "Praça dos Aliados", em homenagem aos povos aliados da Primeira Guerra Mundial, na qual o Brasil entrou já quase no final do conflito. Tratava-se de um quadrilátero que teria, ao centro, um grande relógio montado sobre uma elegante torre de ferro, com 12 metros de altura, com medalhões com figuras alusivas às estações do ano, mostradores iluminados à noite e uma sirene elétrica para apitar fortemente três vezes ao dia, às 6, 12 e 18 horas. A firma fornecedora do relógio era a conceituada firma inglesa "Walters MacFarlane & Cia". Mas, segundo Clóvis Meira, o fabricante teria sido "J. W. Benson Ltda - Ludgate Will - London, 1930 - Clock - mahers to the Admiralty", conforme placa existente em seu interior, esclarecimentos prestados pelo senhor Antônio Venturiell, o abalizado relojoeiro que deu assistência técnica ao mesmo. Em outubro do mesmo ano (1930), rebentou a revolução que vitoriosa, apeou do poder todos os governantes. Logicamente Eurico e Faciola também. A Praça foi inaugurada no dia 5 de outubro de 1931, em comemoração ao primeiro aniversário da Revolução de 30. O interventor federal era o major Magalhães Barata e o prefeito de Belém, o padre Leandro Pinheiro. E o quadrilátero, que se chamava "Praça dos Aliados", teve seu nome mudado para "Siqueira Campos", um dos heróis da Revolução de 30, um gesto de simpatia dos revolucionários paraenses, mas que não pegou, ficando conhecida mesmo como o nome de "Praça do Relógio".

Praça Waldemar Henrique
Antigamente denominada Praça Kennedy, foi totalmente reformada e inaugurada em janeiro de 1999, com o nome de Praça Waldemar Henrique, em homenagem ao maestro paraense e um dos maiores músicos brasileiros. Os 10.300 metros quadrados de área da praça lembram elementos do folclore e do imaginário amazônico, tão presentes nas obras do artista. O palco e a arquibancada simbolizam um piano; o posto de segurança é em formato de harpa e, o escorregador, um violão. Várias esculturas destacam as lendas amazônicas, como o Boto, o Uirapuru e Caipora. A praça também abriga uma concha acústica. O terminal para passageiros representa o fenômeno da paroroca.

Praça Visconde do Rio Branco (Largo da Trindade)
Situada em um local onde outrora fora um pântano, está o Largo da Trindade. A urbanização da área ocorreu em decorrência da construção do templo católico.
E como aconteceu com todas as praças antigas de Belém, quem a urbanizou foi Antonio Lemos.
Passou a se chamar Visconde do Rio Branco a partir de 19 de fevereiro de 1912, graças a uma resolução do Conselho de Intendência Municipal.

Praça Barão do Rio Branco
Principalmente foi Largo das Mercês, por ficar fronteiriça à Igreja das Mercês e ao Convento dos Mercedários.
Era o mais importante logradouro do bairro da Campina, no eixo da Rua dos Mercedários (João Alfredo), com a Rua Santo Antônio.
O primeiro ajardinamento do Largo terminou em 1881 totalmente cercado com grades de ferro, como era de costume no Brasil daqueles idos. O monumento erguido em homenagem a José da Gama Malcher fora inaugurado em 15 de agosto de 1890.
Também deve-se a Antônio Lemos o embelezamento da praça, retirou o gradil, disfarçou o desnível entre a Rua Santo Antônio e o quadrilátero central, além de desbastar a densa arborização que impedia a visão do local.
Hoje não se vê mais nada disso, a não ser o monumento.

Ver-o-Rio
Mais do que "Ver o Rio", imperdível é ver o pôr-do-sol no Ver-o-Rio. Belém ganhou mais vida com esse espaço aberto na orla do Guajará. São 500 m2 com uma estrutura contando um palco, bares e quiosques de comidas típicas e produtos regionais, onde são apresentados shows de ritmos regionais mais o carimbó.

- Monumentos
Monumento ao Frei Caetano Brandão
Localiza-se na praça do mesmo nome, no Centro Histórico de Belém.

Memorial à Magalhães Barata
É um monumento em homenagem e esse líder paraense, pelo centenário de seu nascimento. Foi projetado pelos engenheiros Stélio Santa Rosa, Rui Ventura e Luiz Guilherme Ferreira. A construção foi iniciada em 1988 e concluída em 1989. Sua edificação circular imita o chapéu que usava Magalhães Barata. O Pará e seu povo estão representados por duas massas retangulares em cor vermelha. Entre elas está uma espécie de obelisco azul, que forma uma estrela se visto pelo topo. Um dos triângulos aponta para o conjunto circular, representando a geração contemporânea do líder político. O outro indica o respeito ao líder, que supera o tempo. A rampa de acesso à cripta (os restos mortais de Magalhães Barata estão guardados no monumento), faz a transição entre épocas distintas.

Monumento à República
Em homenagem à proclamação do novo regime, foi aprovado pelo Conselho de Intendência Municipal, a Resolução que determinava a construção de um monumento na Praça da República. No dia 15 de novembro de 1890, aconteceu a cerimônia de colocação da pedra fundamental.
O monumento, todo em mármore de Carrara, tem altura total de 20 metros. A estátua de uma mulher representando a República, com um ramo de oliveira na mão, dizia que o novo regime seria de paz.
A inauguração aconteceu em 15 de novembro de 1897.

Memorial da Cabanagem
Localizado no bairro do Entroncamento, é uma homenagem ao maior movimento popular do Brasil - a Cabanagem. Foi inaugurado em 1985, no governo de Jader Barbalho e projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, no qual manteve seu estilo moderno e arrojado. Com 15 metros de altura e 20 de comprimento, o Memorial da Cabanagem é uma homenagem aos líderes cabanos e seus soldados que, em 1835, lutaram pela liberdade do povo paraense. Um ano depois, a 7 de janeiro era inaugurado o Museu-Cripta dos Cabanos, no Memorial, que abriga os restos mortais dos cinco maiores líderes cabanos (Félix Clemente Malcher, Francisco e Antônio Vinagre, Eduardo Angelim e o Cônego Batista Campos) e um vitral colorido da artista plástica italiana, Marianne Perretti, que retrata uma grande lágrima sobre o rio Amazonas, representando a dor do paraense ante a morte de seus grandes líderes.

- Museus
Museu Emílio Goeldi
Localizado no bairro de São Brás, foi criado em 1861 com o objetivo de se ter um museu de história natural. Somente 10 anos depois, na administração do naturalista Domingos Soares Ferreira Penna, o museu passou a ser vinculado à Província do Grão-Pará. Com a implantação da República em 1881, o museu começou a escrever sua história de preservação do grandioso mundo amazônico. O governador da época era Lauro Sodré. Foi ele quem contratou o zoólogo Emílio Augusto Goeldi para implantar a área científica e restaurar o museu de acordo com as normas científicas mais modernas existentes. Hoje, o Museu Emílio Goeldi é uma instituição federal, sendo considerado um dos mais importantes centros de pesquisa da Amazônia. Sem falar também que é um dos mais antigos museus de história natural do Brasil e do mundo. Situado numa área de 52 mil metros quadrados, o equivalente a sete campos de futebol, possui centros de pesquisa de zoologia, botânica, antropologia, arqueologia, lingüistica indígena e ciências da terra. Possui a Estação Científica de Caxiuanã, no município de Melgaço; o Parque Zoobotânico possui mais de 2 mil animais e 800 espécies raras de árvores (são 5 hectares de área verde funcionando como filtro de ar para a cidade) e diversos espécies de madeira (como o mogno e a andiroba), exemplares de frutos, um aquário com espécies raras de peixes dos rios amazônicos, uma exposição permanente de arqueologia e etnologia com objetos etnográficos de vários povos indígenas da Amazônia e desenvolve permanentemente cursos e seminários além de ter duas bibliotecas. Dentro do Museu também há a Rocinha, espécie de casa de campo da época.

Museu do Círio
Localizado no subsolo da Basílica de Nazaré, já existe há quase 15 anos e desenvolve projetos relacionados ao Círio e à Cultura Popular. O trabalho do Museu é dividido em 4 setores: museografia, museologia, pesquisa e educação. Todo o ano, a diretoria do museu abre uma exposição de longa duração sobre o Círio, mudando apenas o enfoque a cada ano. O visitante tem a oportunidade ainda de conhecer o projeto "Operários da Criação". São exposições temporárias, que mudam a cada mês O projeto convida um artista paraense para conversar e mostrar o seu trabalho aos estudantes que agendam visita e ao público em geral; o projeto "Vídeo-museu", onde se tem acesso a materiais em vídeo sobre o Círio. O acervo está dividido em sete coleções: ex-votos, mortalhas, roupas de anjo, vestidos de noiva, objetos em cera e de miriti; brinquedos do Círio, com barcos de até dois metros de comprimento; paramentos, com objetos de igreja, como castiçais e turibo; mantos; estandarte, adereço que sai na frente da procissão; audio-visual; fotografia; impressos e documentos, como revistas, catálogos programas de da festa e livros. Permanentemente, o Museu realiza cursos e oficinas de cerâmica, pintura em geral, papel marchê, desenho e modelagem.

Museu do Estado do Pará - MEP
Inaugurado em 1772, o museu está localizado nas dependências do Palácio Lauro Sodré. É formado por três pavimentos e foi projetado pelo arquiteto Antonio Landi, em estilo neoclássico. Oferece exposições temporárias nas galerias Antonio Parreiras e Manoel Pastana. Há exposições de longa duração nos salões nobres, onde estão mobiliárias, esculturas, quadros acadêmicos e objetos utilitários do período Art Nouveau. No MEP acontece ainda a Feira de Antiguidade realizada pela Associação dos Amigos de Museus do Estado (AMU - Pará), com apoio da Secretaria de Cultura. O MEP conta com os serviços da Cafeteria Landi Café, e do Restaurante Namura.

Museu de Arte Sacra - MAS
Foi inaugurado em 1998 e está instalado no antigo Palácio Arquiepiscopal, patrimônio tombado pelo governo Federal. Possui um acervo de mais de 300 peças sacras, e é parte integrante do Projeto Feliz Luzitânia, do qual também fazem parte a Igreja de Santo Alexandre, o Palácio Episcopal, o Forte do Castelo e a Casa das Onze Janelas.

Museu de Arte de Belém - MABE
Inaugurado em 1991, o museu está localizado nas dependências do Palácio Antônio Lemos. Possui um grande acervo de pinturas, esculturas, gravuras, cerâmicas, objetos de diferentes épocas, além dos Anjos Tocheiros e, mobiliário da alta sociedade paraense do século XIX. No pavimento térreo há a sala Theodoro Braga, a sala Antonieta Feio e a Multiuso. No pavimento superior, os Salões Nobres, a Sala Domenico de Angelis - que retrata o século XIX e o século XX, a Sala Ruy Meira - que retrata a Arte Contempôranea, a Sala Waldemar da Costa - Acervo Moderno, a Sala Ismael Nery - retrata a Belle Époque e o grande Auditório.
Atualmente está a disposição dos artistas locais para mostrarem os seus trabalhos e para passar a história de um período ao povo do Pará.
Devem-se destacar duas telas com mais de 90 anos: "Fundação da Cidade de Belém" de Theodoro Braga e "Últimos Dias de Carlos Gomes" de Domenico de Angelis e Capeanesi.
Outros museus de que a cidade dispõe: Museu da Universidade Federal do Pará, Museu da Imagem e do Som - MIS, Museu da Eletricidade do Pará Dário Gomes, Museu do Judiciário, Museu Naval, Museu de Arte do CCBEU - MABEU, Museu Diplomático do Setor Amazônico.
O Município também possui Galerias de Arte: Galeria Angelis, Galeria Debret, Galeria Edgar Contente (CCBEU), Galeria Espaço Cultural da Caixa Econômica Federal, Galeria Ismael Nery, Galeria Portinari, Galeria Theodoro Braga, Galeria Augusto Fidanza, Galeria de Arte e Espaço da Memória (UNAMA), Espaço Cultural Ernesto Pinto Filho ( Ministério Público), Galeria Municipal de Artes.
Canto do Patrimônio - abriga a Galeria de Arte, destinada à produção artística amazônica; espaço para produtos culturais; livraria temática, com ênfase na produção editorial do Instituto do Patrimônio Histórico da Amazônia - IPHAM e, Auditório para trinta e dois lugares.

- Bibliotecas
Arquivo Público do Pará
Biblioteca Central da UFPA: Fundada em 19/12/1962
Biblioteca Central da UNAMA
Biblioteca da CESUPA
Biblioteca do CCBEU
Biblioteca do Museu de Arte de Belém
Inaugurada em 1994, conta com um acervo setorial nas áreas de musicologia e artes visuais de aproximadamente 400 volumes.
Biblioteca do Museu Paraense Emílio Goeldi
Reúne documentação e informações sobre a Amazônia. Seu acervo é composto por livros raros, fotografias, filmes, fitas, microfilmes, periódicos e folhetos.
Biblioteca Fran Paxeco: (Grêmio Literário Português)
Biblioteca Pública Estadual Arthur Viana
É a biblioteca mais antiga da cidade, inaugurada em 25 de março de 1871. Atualmente está instalada no CENTUR.

- Cinemas
Cine Castanheira 1e 2
Cinema 1, 2 e 3
Cine Boulevard
Cine Olímpia - É a mais antiga sala de exibição de filmes em funcionamento do Brasil, assim como da América Latina. Inaugurado em 1912, expressava o tempo fausto da borracha na região; as sessões lotadas eram freguentadas por homens e mulheres bem vestidos, onde eram bem definidos os vínculos de classe social. Depois de atravessar décadas e sofrer algumas ameaças de desaparecer, o Cine Olympia (como era grafado na década de 50) continua fazendo parte do cotidiano da cidade, mas sem o glamour de antes, pois os costumes tornaram-se democratizados.

- Mercados
Mercado de São Brás
Localizado no bairro de mesmo nome, foi inaugurado em 1911 pelo governador Antônio Lemos, tendo sido construído para tentar resolver o problemas de abastecimento da cidade, que na época tinha 70 mil habitantes. O local escolhido para a construção do então Mercado Municipal foi a Praça Floriano Peixoto, próximo à Estação de Ferro de Bragança (atual Terminal Rodoviário de Belém "Hildegardo da Silva Nunes"), onde já havia uma Feira Livre que, no entanto, já não atendia às necessidades da população, haja vista a grande concentração de pessoas, além das precárias condições sanitárias do lugar. O projeto de construção foi iniciado em fevereiro de 1910, e concluído em 21 de março de 1911. O Mercado Municipal teve sua arquitetura inspirada nos estilos Art-Nouveau e no Neoclassicismo, predominantes no Brasil. Três grandes pavilhões compõem o conjunto arquitetônico, porém, em si o espaço completo do mercado envolve ainda a sede administrativa do mesmo, localizada aos fundos. Várias reformas foram feitas desde sua inauguração. A primeira reforma do mercado aconteceu em 1988 e a segunda, em 1999. Quanto à utilização dos espaços, em 1911, na construção original, a Ala Central era um espaço direcionado à venda de carnes, peixes, verduras e outros gêneros vendidos a retalho. No centro desta ala localizava-se a fonte ornamental. Na primeira reforma, foi transformada em feira livre. Já na segunda, continuou como feira livre, mas sem alimentos perecíveis. A Ala Esquerda, originalmente era um espaço encarregado à venda no atacado. Na primeira reforma, foi transformado em teatro Municipal e na segunda, em feira livre. A Ala Direita foi originalmente o lugar onde se estabeleceram as câmaras frigoríficas. Na primeira reforma foram construídas salas, banheiros e mezanino. Na segunda reforma, virou espaço cultural da FUMBEL.

Mercado Bolonha (Mercado de Peixe)
Foi inaugurado em 1901, em estilo Art Nouveau. O prédio foi projetado na administração do Intendente Antônio Lemos pelos engenheiros Bento Miranda e Raimundo Viana. Tem sua estrutura metálica importada da França. Suas quatro torres poligonais cobertas de zinco lhe conferem o título de cartão postal mais famoso de Belém e do Pará. Foi criado com a finalidade de aferir o peso do açúcar, e de outros produtos que, posteriormente, seriam cobrados e devidos impostos e enviados a Portugal na época da borracha. Restaurado em 1985. Atualmente, comercializa grande parte do pescado que abastece a cidade, por isso é chamado (popularmente) de Mercado de Peixe.

Mercado do Ver-o-Pêso (Mercado de Ferro ou Mercado de Carne)
É nesse mercado que se encontra a balança na qual era feita a averiguação do peso das mercadorias no início do século XX. Projetado pelo engenheiro Francisco Bolonha e inaugurado em 1907 na administração de Antônio Lemos, esse mercado possui uma estrutura toda de ferro, trazida da Inglaterra pela firma "Walter Macfarlane de Glasgow", originando o nome de Mercado de Ferro. Até hoje a finalidade de ver o peso é mantida.

- Complexos
Complexo do Ver-o-Pêso (Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Ver-o-Pêso)
É formado pelos Mercado Bolonha, Mercado de Ferro, Feira Livre, prédio Solar da Beira e Praças do Relógio e do Pescador.

a) feira Livre: é ponto de venda de produtos regionais, havendo, também, uma feira de artesanato onde se pode encontrar artigos de cerâmica, madeira entalhada, fibras, ouriço de castanha-do-pará e outros materiais.

b) Solar da Beira: construído na beira da Baía do Guajará guarda muitas histórias. José Nápoles Tello de Menezes, que governou a capitania por volta de 1780, visando aumentar a arrecadação propôs uma fiscalização mais rigorosa das mercadorias que chegavam em Belém. Dessa maneira, as mercadorias passaram a ser pesadas, tachadas e registradas na Casa do Ver-o-Peso, que possivelmente tenha sido construída na rua dos Mercedários, hoje rua João Alfredo. Para garantir o rigor da fiscalização os registros e rendas arrecadados eram conferidos no prédio da Mesa das Diversas Rendas, hoje Solar da Beira. O prédio também já foi sede do Banco do Estado e da Junta Comercial. Nos últimos anos, estas funções austeras foram substituídas por outras mais amenas: foi palco de apresentações teatrais e abrigou um restaurante, sendo depois desativado. Atualmente, a Prefeitura Municipal de Belém desenvolve atividades no local.

Complexo da Cidade Velha (Centro Histórico de Belém)
É o marco da história da cidade, tem como característica principal a herança arquitetônica do Período Brasil-Colônia: representada pelos casarões dos séculos XVII e XVIII, como sobrados, palacetes, igrejas, praças e monumentos da época da colonização.

Complexo de São Brás
Datado do início do século XX, abriga construções nos estilos Jônico, Romano, Coríntio e Dórico. A fachada principal do complexo dispõe de portaria central no estilo romano, ladeada por pilastras em mármore.

Complexo Feliz Lusitânia
Situado em um dos principais pontos turístico da cidade, em torno da Praça Dom Frei Caetano Brandão. Fazem parte deste complexo: a Igreja de Santo Alexandre, o Palácio Episcopal, o Forte do Castelo, o Museu de Arte Sacra e a Casa das Onze Janelas.

Complexo Turístico e Cultural Estação das Docas
Localizado às margens da baía do Guajará, no bairro do Comércio, foi implantado nos antigos armazéns da Companhia das Docas do Pará (projetados em 1902, que antes serviam para armazenamento de cargas), correspondendo a uma área de 32 mil m2. Inaugurado no dia 13 de maio de 2000, o projeto Estação das Docas foi inspirado no antigo sonho do paraense de ter acesso à paisagem ribeirinha, resgatando para a vida da cidade, o ambiente portuário reciclado para novos usos, dentro da esfera sócio-turístico-cultural, preservando, ao mesmo tempo, o Patrimônio Histórico através da Arquitetura de ferro do início do século, são três antigos armazéns ingleses, construídos no início do século XIX, durante o apogeu da exploração da borracha, foram completamente reciclados e reaproveitados através de uma parceria entre o Governo do Estado e a Companhia das Docas do Pará (CDP). Os galpões de arquitetura industrial de ferro, localizados na área portuária de Belém, receberam novo uso, e se transformaram em pólo turístico, a exemplo de grandes centros internacionais, numa iniciativa inédita no Brasil.
Na Estação foram valorizadas principalmente as grandes aberturas através de vidro transparente. Este recurso permite a troca de olhar da baía do Guajará em direção a Boulevard Castilhos França, área urbana em frente à estação.
A compartimentalização dos armazéns 1, 2 e 3 foi mantida e eles são interligados através de túneis revestidos em placas transparentes e uma leve estrutura metálica. São módulos de passagem quase imperceptíveis, que articulam os ambientes e protegem da chuva, sem impedir a visão.
A ocupação dos galpões foi cuidadosamente definida para que o espaço não perdesse a característica portuária.
Os armazéns foram concebidos para ser um grande Boulevard de uma tradicional praça de feiras. Sobressaindo os recantos dos bares, cafés, cervejaria, centro gastronômico, além de abrigar espaços para exposições, vernisagens, auditório, museu e teatro.
No calçadão, as vedetes são os antigos guindastes franceses, completamente restaurados que receberam iluminação cênica, transformando-os em esculturas industriais capazes de remeter à vida do início do século.
As antigas pontes rolantes que serviam para deslocar as mercadorias dentro dos galpões foram recicladas para servir de sustentação de um palco.
Os galpões foram adaptados para um grande espaço cultural e gastronômico. O Armazém 1 recebeu o nome de "Boulevard das Artes" e está dividido em três espaços: o primeiro, "Memória do Porto de Belém", com um acervo de fotografias e objetos sobre a história do porto de Belém: "Arqueologia, Memória e Restauro", com objetos descobertos nas escavações arqueológicas onde situava-se o Forte de São Pedro Nolasco. E no outro espaço, a "Galeria da Estação", onde se encontram bares, lanchonetes, quiosques e barracas de artesanato. A mini-fábrica de cerveja Amazon Bier, também está nesse espaço e oferece dois tipos de cervejas diferenciadas: a Amazon River e a Forester. Elas possuem aroma e paladar mais apurado e forte.
O "Boulevard da Gastronomia" dentro do Armazém 2, além de um palco suspenso e móvel, possui nove pontos de fast food e restaurantes especializados em comidas típicas da Amazônia e pratos internacionais.
O Galpão 3 foi idealizado para ser o "Boulevard das Feiras e Exposições". Neste boulevrd tem ainda o teatro Maria Sylvia Nunes, com a capacidade para receber 400 pessoas e equipado com moderno sistema de luz e som.
"O antigo terminal de embarque e desembarque de passageiros, o galpão Mosqueiro-Soure, foi reconstruído e continuará servindo como apoio para o movimento de passageiros da Amazon River - uma balsa flutuante com capacidade para 2.200 pessoas e 671 metros, projetada especialmente para atender as embarcações turísticas do complexo, vai atender ao público que visitará a estação turística do local".

Parque da Residência
Moradia oficial dos governadores do Estado durante várias décadas, o espaço foi transformado num complexo cultural, lazer e turismo. O local ganhou uma nova denominação: Parque da Residência. Como residência oficial dos governadores paraenses, foi inaugurado 1934. O primeiro morador foi Magalhães Barata, embora alguns jornais da época indiquem que o prédio foi alugado para servir de moradia dos governadores Enéas Martins e Lauro Sodré. Foi tombado pelo Governo do Estado em 1981. Esse típico palacete do início do século XX representa uma arquitetura de transição, em que os padrões tradicionais são rompidos por edificações que primam pelo bom gosto e luxo. Sua marcante forma eclética combina recursos neoclássicos com outros elementos estilísticos e decorativos de grande importância para o patrimônio arquitetônico de Belém. Logo na entrada do parque, um Orquidário abriga espécies típicas da Amazônia em exposição permanente. Há, ainda, outros elementos que são um verdadeiro resgate histórico da cultura paraense: o antigo vagão da Estrada de Ferro de Bragança, que transportou o coronel Magalhães Barata, imigrantes nordestinos e muitos paraenses, foi adaptado e é usado como uma original loja de lanches e sorvetes regionais. A Estação Gasômetro, inaugurada em 1997- estrutura de ferro da antiga Companhia de Gás do Pará -, foi remontada no local, abriga um teatro para 400 pessoas, um café e a loja Empório da Artes (venda de produtos culturais regionais) e uma "barraca" de comidas típicas. Outras opções de lazer do parque incluem Anfiteatro (espaço muito utilizado para apresentações de manifestações culturais na região), o Gasêbo (edificação construída em 1980 que serve de restaurante), exposição venda de artesanato e outros. Possui uma Praça das Águas, na qual se destaca a estátua do poeta paraense Ruy Barata e a Alameda Beija-Flor, que é mais um dos acessos ao parque.

- Teatros
Teatro da Paz:
Localizado na rua da Paz, no centro da Praça da República, bairro do Comércio, é o mais importante do Estado do Pará e um dos mais conceituado do Brasil. Construído durante o período Imperial brasileiro, em estilo neoclássico, ostenta e simboliza a riqueza dos tempos áureos da borracha e é também o mais antigo teatro da região. Seu projeto foi elaborado pelo engenheiro Tibúrcio Pereira Magalhães no estilo neoclássico. A construção começou em 1868 e só terminou seis anos depois, em 1874. Foi o bispo Dom Antônio de Macedo Costa quem sugeriu o nome de Teatro de Nossa Senhora da Paz. Mas com o tempo, a linguagem popular consagrou o abreviativo de Teatro da Paz e assim foi oficializado pelo Presidente da Província. As reformas no governo Augusto Montenegro (1904) não alteraram o estilo. Na fachada principal existem colunas gregas e frontão reto e a colocação de quatro bustos, representando a música, a poesia, a comédia e a tragédia, tendo ao centro o escudo do Estado. Possui sala de espetáculos com 1.100, lugares obedecendo o critério teatral italiano. E, sendo conhecido por ter a melhor acústica das casas do gênero, é palco das mais conceituadas apresentações. Belíssimos espelhos de cristal, bustos em mármore carrara, o teto da sala de espetáculo pintado por Domênico de Angelis e galeria com móveis da época. A maioria dos objetos encontrados no teatro foi trazida da Europa na época da construção. Nele apresentaram-se grandes companhias de ópera européias: no seu palco, dançou a imortal Ana Povlova; e Carlos Gomes, quando vivia em Belém, já no final de sua vida, regeu sua ópera "O Guarany". É tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional.
Juntamente com o Teatro da Paz, veio um coreto de ferro, que hoje é o Bar do Parque, um cantinho que guarda um pouco da história de Belém. Por lá já passaram muitos governadores, artistas e visitantes. O bar é o "point" de artistas, intelectuais e de travestis que fazem ponto na Praça da República. Um dos dias mais movimentados neste bar é a véspera do Círio, quando acontece a tradicional Festa da Chiquita. O único dia em que o bar do parque não abre é no dia do Círio de Nazaré, numa demonstração de carinho e homenagem à padroeira.

Teatro Waldemar Henrique:
Possui uma arquitetura eclética, característica do início do século XX, predominando o estilo Art-Nouveau. Já foi sede da Associação Comercial de Estado do Pará, Museu Comercial do Pará e Caixa Econômica. Como teatro, foi inaugurado em 17 de setembro de 1979. É experimental pelo seu teor de fomento e efervescência da arte teatral baseada em amadorismo, ou seja, seu papel é o de ser espaço adequado para os ensaios teatrais da região, bem como ambiente propício a divulgação dos valores da terra, quer seja na esfera do teatro, da música e da dança ou expressão corporal. Waldemar Henrique foi uma renomada personalidade (da terra) do teatro e da música (maestro). Sua indicação foi graças ao empenho do então Secretário de Cultura, Olavo Lira Maia.
Além desses teatros a cidade de Belém dispõe de alguns outros: Teatro Gabriel Hermes (SESI), Teatro Cláudio Barradas, Teatro do Museu Emílio Goeldi, Teatro Estação Gasômetro, Teatro Maria Sylvia Nunes (Estação das Docas), Cine-Teatro do Centro Cultural Brasil Estados Unidos, Núcleo de Artes das UFPA., Fundação Curro Velho, Solar da Beira, Anfiteatro da Praça da República, Anfiteatro da Estação das Docas e Teatro Unipop.

Teatro Margarida Schiwazzapa
Inaugurado em 1984, nas dependências do Complexo Tancredo Neves (CNETRO) o teatro conta com o maior palco da região Norte e uma capacidade para 508 lugares.

- Parques e Bosques
Bosque Rodrigues Alves
Localizada na avenida Almirante Barroso, corredor de entrada de Belém, foi idealizado por José Coelho da Gama Abreu, Barão do Marajó, que além de Intendente da Província do Pará (1879-1881) e Intendente de Belém (1891-1894) era geógrafo da Amazônia. Sua criação visava preservar o ambiente natural na área urbana da cidade de Belém. Inspirado no Bois de Bologne, de Paris, foi criado no dia 25 de agosto de 1883, no bairro do Marco da Légua - hoje Marco -, apresentando as dimensões de 200 braços em quadrado e recebendo a denominação de Bosque Municipal. As 2.500 espécies florestais do bosque não foram plantadas. A reserva, de mata nativa, foi apenas cercada para que a cidade pudesse desfrutar de um pedaço natural da floresta Amazônica. Durante três anos (1900-1903), obedecendo à determinação do senador Antônio Lemos, Intendente de Belém à época, ficou fechado para reformas, recuperação e obras como o Monumento aos Intendentes Municipais, grande cascata, ruínas do castelo, quiosque chinês, mictório público, cabana Ceci e Peri, gruta encantada, lagos artificiais e estátuas dos legendários guardiães das floresta, Mapinguari e Curupira. Em 27 de setembro de 1903 foi novamente reaberto à visitação. A 12 de dezembro de 1906 finalmente veio a receber o nome Bosque Rodrigues Alves. É um pedaço da floresta amazônica preservado no meio da cidade. São centenas de árvores da flora amazônica, parque zoológico com animais de pequeno porte encantam a área de 150 mil metros quadrados. Voltado a ser espaço permanente de educação ambiental, sua última reforma (governo Hélio Gueiros) estendeu a área de espécies vegetais com plantio de novas, redefinindo o uso de suas instalações. Engendrou-se da mesma forma um local destinado às orquídeas - o orquidário do alto rio Negro, de municípios próximos (Vigia, Castanhal, Marapanim) e demais áreas recentemente devastadas, na região de São Félix do Xin gu e no sul do Estado. É um dos lugares preferidos do final de semana do belenense.

Bosque Ambiental de Belém
É o mais recente parque da cidade. Unidade de proteção dos mananciais do Bolonha e água Preta, com lagos que abastecem Belém, na Floresta do Utinga. Fica na Estrada do Ceasa.

Parque dos Igarapés
Bosque com piscinas, quadras de esportes, restaurantes e muitos igarapés. Os visitantes também podem desfrutar da beleza do Rio Ariri. Seu acesso é feito pelo Km-7 da Rodovia Augusto Montenegro.

Parque Zoobotânico do Museu Paraense
Centro de pesquisa biológica e agronômica, está instalado em uma área de 52 mil metros quadrados, com mais de 2.000 espécies de plantas e cerca de 600 animais.

- Espaço Cultural
Aldeia Cabana de Cultura Amazônica "Maestro David Miguel" - (Sambódromo)
O projeto tem muitos significados: "Aldeia" porque a construção se inspira na formação das ocas indígenas, principalmente os Ianomâni e "Cabana", em reconhecimento à Revolução da Cabanagem, um dos fatos mais marcantes da história de Belém.
Visa abrigar as mais diversas manifestações culturais e esportivas, integrando a população com um todo e, idosos, crianças e adolescentes com problemas neurologias, especificamente.
O espaço abriga salas para oficinas de dança, música, teatro e artesanato que se transformam em camarotes durante o Carnaval, além de arquibancadas reversíveis. No carnaval, o espaço destinado ao público tem capacidade para mais de 8.000 pessoas e funciona também em eventos como a micareta e apresentação de grupos de carimbó, quadrilhas, etc...

Planetário Sebastião da Gama
(cientista paraense que dirigiu o Observatório Nacional, entre 1930 e 1951), localizado na rodovia Augusto Montenegro, é uma espécie de teatro onde se pode apresentar planetas, estrelas, constelações, satélites artificiais, galáxias o outros corpos celestes, eclipses lunares e solares, passagem de cometas, entre outras atrações. O objetivo é difundir conceitos astronômicos e preservar as mais diversas heranças culturais originárias da observação do céu pelo homem - frutos da velha necessidade de entender a ligação dos fenômenos celestes com as leis que regem a vida na Terra. A idéia de se construir um planetário em Belém surgiu em abril de 1995, no Forte do Castelo, durante um encontro de astrônomos, físicos e leigos interessados em Astronomia. Eles observavam o eclipse anular do sol ocorrido naquele ano - o evento foi o último visível no Brasil no século XX e Belém foi a capital nacional que melhores condições geográficas apresentou para a sua observação na época. Presente à observação, o deputado estadual paraense Nadir Neves estimulou-se a apresentar então à Assembléia Legislativa do Estado a proposta de criação de um planetário em Belém, idéia abraçada e realizada através da Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (SECTAM). Em maio de 1999, o prédio e os equipamentos do Planetário Sebastião Sodré da Gama foram finalmente entregues à Universidade do Estado do Pará (UEPA). Hoje o Planetário do Pará é um espaço cultural ligado à Pró-Reitoria de Extensão da UEPA. Está dividido em três ambientes: o Espaço da Astronomia, onde há sessões na cúpula de projeção (que é um grande cinema de 360º, através de um projetor Skymaster ZKP-3, um dos mais modernos existentes, e de equipamento de som) e biblioteca; Espaço do Conhecimento composto por outros seis ambientes que permitem experimentar conteúdos ligados à Astronomia e meio ambiente; e o Espaço Movimento e Vida, que abriga brinquedos inteligentes. O Planetário do Pará também oferece loja, lanchonete e ampla área para mostras permanentes e temporárias e intensa programação cultural.

Aeroporto Internacional de Belém
Tradicionalmente denominado de Aeroporto de Val-de-Cans, devido estar situado no bairro do mesmo nome, distante 12 km do centro da cidade, foi inaugurado em 21.01.1959.
Passou por uma ampliação e restruturação, sendo inaugurado a 12/10/2002, é considerado um dos maiores e mais modernos do País. O novo Aeroporto tem 33.200 mil m² o que lhe dá a capacidade de receber anualmente cerca de 2,8 milhões de passageiros. Possui uma pista (06/24) com 1.800m por 45m, que está preparada para receber aeronaves do tipo Boing 747/400 e atende aos tipos de aviação Nacional, Internacional, Geral e Militar, operando com 11(onze) companhias com vôos regulares.
Oferece aos passageiros e usuários uma moderna infra-estrutura aeroportuária, com sistemas automatizados e informatizados, fato que o classifica como um Aeroporto Inteligente. Conta com quatro terminais de desembarque, dois domésticos, um internacional e um reversível, além da sala de embarque internacional. Há também estabelecimentos comerciais, dois free shops e o terraço panorâmico. É totalmente climatizado em dois níveis e conta com uma arquitetura futurista, projetada para aproveitar a iluminação do ambiente, seu interior é ornamentado com plantas da região amazônica que se encontram cercadas por uma fonte, capaz de imitar o barulho das chuvas que caem na região.
O Aeroporto é contornado por uma ornamentação paisagística própria, denotando de forma marcante o portal da entrada da Região Amazônica.

Estádio
Estádio Olímpico do Pará
Inaugurado a 1ºde maio de 2002, Dia do Trabalhador.
