HISTÓRICO
Os primeiros habitantes das terras de Barcarena foram os índios Aruans, que, durante o período da colônia, antes de 1709 foram catequizados pelos padres jesuítas.
Estes se instalaram em terras doadas por Francisco Rodrigues Pimenta, onde fundaram uma fazenda com o nome de Gebirié, depois conhecida como "Missão Geribirié", erigindo aí uma igreja, que ainda serve de matriz. Posteriormente, elevado o povoado ã categoria de freguesia, sob a invocação de São Francisco Xavier.
Sua elevação à categoria de Vila aconteceu, mediante a promulgação da Lei Estadual nº 494, de 10 de maio de 1897, ocorrendo sua instalação em 2 de janeiro de 1898, segundo estava determinado pelo Decreto nº 513, de 13 de dezembro de 1897.
Devido a sua proximidade de Belém, a cujo território pertenceu até 1938, Barcarena foi palco de importantes acontecimentos durante os agitados anos da Cabanagem. Em seu território morreu o cônego Batista Campos, a 31 de dezembro de 1834. Líder revolucionário paraense que editou um jornal contra o presidente Bernardo Lobo de Souza. Só saiu o primeiro número, no segundo, foi a oficina empastelada e ordenada a prisão de Batista Campos e Lavor. Passaram a viver em fuga, até que chegaram em Barcarena, se instalando depois na fazenda Boa Vista, de Eugênio de Oliveira Pantoja, localizada no furo do Arrozal, onde faleceu no dia 31 de dezembro.
Também em Barcarena foi sepultado outro grande líder cabano, Eduardo Angelim, que ali tinha uma fazenda, de nome Madre de Dios, ou Mãe de Deus. Quando o terceiro presidente cabano voltou do exílio, em 1851, recolheu-se a essa fazenda, onde viveu cerca de 30 anos sem mais se intrometer em política. Angelim faleceu em Belém, a 11 de julho de 1882 e foi enterrado ao lado da sepultura da esposa, na fazenda onde viviam.
Referem-se igualmente, os seus historiadores que o nome desse Município se originou da presença, no assentamento populacional, de uma grande embarcação que havia sido batizada como "Arena", e à qual os habitantes do lugar chamavam de barca. A junção das duas palavras fez com que a localidade ficasse conhecida como Barcarena.
No Decreto-Lei de nº 2.972, de 31 de março de 1938, a denominação oficial do lugar aparece como Barcarena, simplesmente, considerada como distrito da jurisdição de Belém. Pelo Decreto-Lei Estadual nº 3.331, de 31 de outubro do mesmo ano, Barcarena perdeu o território da área do Caeté, em favor do município de Mojú.
Somente mediante a promulgação de Decreto-Lei Estadual nº 4.505, de 30 de dezembro de 1943, Barcarena foi reconhecida como Município do Estado do Pará, fixando seus limites e sua localização geográfica.
Em 1956, foram reconhecidos como seus distritos Barcarena e Murucupi, com os quais configura seu território, até hoje.
CULTURA
São Raimundo e Nossa Senhora de Nazaré são festejados no Município de Barcarena nos meses de agosto e novembro, respectivamente. Mas, o evento religioso de maior destaque é a festa do Santo padroeiro da cidade São Francisco Xavier, que é realizada no dia 3 de dezembro.
Outras manifestações culturais, porém, movimentaram Barcarena. Entre elas, a Quinzena Cívico-Cultural "Presidente Eduardo Angelim", que ocorre no período de 6 a 20 de julho, cuja finalidade é homenagear o líder cabano, enterrado naquele Município, em 19 de julho de 1882. Outra manifestação é a homenagem póstuma ao cônego Batista Campos, um dos maiores líderes da Cabanagem, falecido em Barcarena, no Furo de Atiteua Arrozal, em 31 de dezembro de 1835.
Alguns grupos são a expressão do patrimônio da cultura popular do Município: Os Bois-Bumbás, Pai da Tropa e Hei de Vencer ; os pássaros Beija-Flor e Anambé ; as quadrilhas, além da Pastorinha organizada para as comemorações natalinas, são as manifestações de maior importância dentro do cenário cultural.
O artesanato de Barcarena não apresenta grande variedade. As peças confeccionadas de juta, madeira e palha possuem valor.
Os exemplares do patrimônio histórico e cultural mais destacados são: o prédio da igreja de São João, construída por missionários e indígenas, na Vila do Conde, bem como o túmulo de Batista Campos, localizado na fazenda Madre de Deus.
Barcarena possui, como equipamento cultural, uma Biblioteca e uma Casa Cultural.